A universidade, você e a paz
João Féder
A Assembléia Geral das Nações Unidas realizada em 20 de novembro de 1997, proclamou o ano de 2000 como o Ano Internacional da Cultura da Paz, acreditando que o início do novo milênio é a hora apropriada para promover um movimento mundial de transição de uma cultura de guerra e violência para uma cultura de paz e não-violência, fundada sobre valores, atitudes e comportamentos que signifiquem apelo ao diálogo, à tolerância e à solidariedade.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) foi incumbida de coordenar o Ano Internacional da Paz e, no cumprimento desse papel, está empenhada em mobilizar o maior número possível de organizações e instituições capazes de contribuir para alcançar o melhor resultado possível.
A idéia, tão nobre quanto ambiciosa, é reunir uma multidão de parceiros com a finalidade de realizar uma aliança em escala planetária, de entidades, grupos e movimentos que trabalhem de qualquer modo para a instauração global de uma cultura de paz.
A primeira instituição a quem a Unesco recorreu foi a universidade. Constituindo-se em um centro de aprendizado e pesquisa, a universidade tem condições de se transformar em agente transmissor dos valores necessários ao desenvolvimento de uma nova cultura, uma cultura fundada sobre o respeito e a tolerância. Notadamente pela presença da massa estudantil. Em sua primeira iniciativa, a Unesco se dirigiu às universidades de todo o mundo.
A Universidade Federal do Paraná, que já vem participando da batalha da Unesco, acaba de receber também o apelo para se unir a essa grandiosa empreitada.
E, em verdade, somente com o apoio das universidades de todos os continentes será viável chegar ao efeito colimado. A intenção da Unesco é conseguir uma coleta de 100 milhões de assinaturas em favor da cultura da paz. Certo que 100 milhões é pouco para uma população atual de 6 bilhões de seres humanos, mas pensar em número maior talvez seja utópico e é justo acreditar no efeito multiplicador dessa tomada de posição pelos cidadãos de todas as partes do mundo.
Já para tentar chegar a essa quantidade de adesão, a Unesco coloca à diposição dos interessados o seu site web www.unesco.org/manifesto2000 pois a Internet será importante veículo para facilitar a participação popular.
Na verdade, essa participação terá o significado de uma assinatura ao Manifesto 2000 por uma Cultura de Paz e da não-violência. Esse manifesto foi redigido, a pedido da Unesco, por eminentes personalidades, dentre as quais muitos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz, a fim de sensibilizar todos os povos a uma empreitada pela paz mundial.
O manifesto já conta com assinaturas de renomadas personalidades de vários cantos do mundo. Dalai-Lama, Adolfo Perez Esquivel, Mikhail Gorbachev, Nelson Mandela, Rigoberta Menchú Tum, Andrés Pastrana, Coretta Scott King, Shimon Peres e Desmond Mpilo Tutu estão entre os primeiros que colocaram a assinatura no manifesto, que será apresentado à Assembléia Geral das Nações Unidas em setembro de 2000.
O Manifesto 2000 está apoiado em seis pontos fundamentais: 1. Respeitar a vida; 2. Rejeitar a violência; 3. Liberar a generosidade; 4. Escutar para se fazer compreender; 5. Preservar o Planeta; e 6. Reinventar a solidariedade.
Vamos aderir. Nós somos a paz.
- JOÃO FÉDER é coordenador da cátedra da Unesco pela Cultura da Paz na Universidade Federal do Paraná em Curitiba

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