Quando há ideais fortes e honestidade de propósitos, a iniciativa privada e o poder público podem operar revoluções no campo do empreendedorismo e fincar sólidos alicerces na infra-estrutura para o desenvolvimento. Um exemplo disso é mostrado por Arapongas o segundo maior pólo moveleiro do Brasil, depois de Bento Gonçalves (RS) e que acaba de inaugurar o Centro Nacional de Tecnologia da Madeira e do Mobiliário, já denominado ''Universidade da Mobília''. Essa instituição oferece 24 cursos de qualificação e especialização em madeira e mobiliário, vestuário e confecções, segurança no trabalho, eletrônica, gestão e metal-mecânica, para atender à demanda das indústrias moveleiras. O empreendimento se deve ao Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas, idealizador do projeto desde muitos anos; à Federação das Indústrias do Estado do Paraná, que destinou R$ 4 milhões em máquinas e equipamentos; ao Ministério da Educação, através do Programa de Expansão do Ensino Profissional, que aplicou R$ 3,8 milhões; e a Prefeitura de Arapongas, que doou o terreno, avaliado em R$ 3,2 milhões. A manutenção está a cargo do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial-Senai, que destinará R$ 2 milhões/ano a esse Centro. Embora inaugurada agora, a ''Universidade da Mobília'' já vem ministrando cursos desde janeiro, com 160 alunos e 15 professores, isto representando apenas 20% de sua capacidade, pois esse volume certamente irá se expandir até alcançar a ocupação plena, que é de 1.200 vagas. Dos 24 cursos, 17 são voltados especificamente para o setor moveleiro, incluindo design. Como declara o presidente da FIEP, Roberto da Rocha Loures, inovação tecnológica é ferramenta essencial para a sustentação econômica. E assim citando alerta do instrutor do Senai, Franz Adolf Pries, que tem formação técnica em movelaria na Alemanha e atuará na instituição ora inaugurada em Arapongas vai se afastando a mentalidade ainda dominante da empresa brasileira de investir em mão-de-obra barata, e cria-se um novo conceito, o da especialização e naturalmente do bom ganho salarial. Arapongas tem 600 indústrias moveleiras e emprega mais de 15 mil pessos no eixo Londrina-Maringá, no centro do qual se situa. Possui um moderno parque de eventos e promove todos os anos exposições da área moveleira e segmentos afins, reunindo expositores e compradores de todo o Brasil e de países vizinhos. Soluções como esta de Arapongas são os caminhos certos que o Brasil deve seguir e que levarão, por via da profissionalização, à produção de mais qualidade e à expansão econômica, com a consequente melhoria também dos padrões salariais, algo que ainda tarda um pouco neste País mas será uma inevitável condição que os bons profissionais irão alcançar.

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