O mundo conviveu durante anos, e ainda hoje alguns países convivem, com uma doença que ataca e já matou uma quantidade enorme de crianças. A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, passou a ser efetivamente combatida quando o médico Alberto Sabin desenvolveu a vacina contra a doença. Nascido em 1906, na Rússia, mudou-se para os Estados Unidos aos 12 anos, com a família, para morar em Nova Jersey. Já como cientista, por 30 anos pesquisou e desenvolveu, na Universidade de Medicina de Cincinnati, o agente de imunização da pólio. Uma descoberta que possibilitou a erradicação da doença em diversos países, inclusive o Brasil, e rendeu ao cientista centenas de premiações, inclusive o Prêmio Nobel de Medicina. Albert Sabin morreu em 1993.
O êxito da vacina, muito mais do que a tecnologia aprimorada em laboratório, certamente deve ser atribuído às grandes campanhas de imunização realizadas pelo mundo afora. Num dos trabalhos recentes, o Rotary Internacional e parceiros implementaram o programa Pólio Plus, em 1985, que permitiu a quase dois bilhões de crianças, até 2001, o recebimento da vacina oral contra paralisia infantil. Desde o início do projeto, o número de países onde a doença deixou de ser endêmica baixou de 125, em 1985, para apenas 10 no final de 2001. Ainda segundo estatísticas do Rotary, 10% da população infantil viviam em países onde não havia pólio, em 1988. Já em julho de 2001, 70% das crianças residiam em países livres da doença. O número de casos de poliomielite no mundo diminuiu 99% desde o lançamento desse trabalho do Rotary Internacional.
Para a conclusão do programa, até 2005, veio a necessidade do aporte de US$ 500 milhões. Engajaram-se como parceiros do Rotary o Banco Mundial e o empresário americano Bill Gates. Com certeza, essa união de esforços e o trabalho de imunização vão possibilitar a erradicação da pólio no mundo.
Dentro dessa filosofia, há um desafio em saúde pública a ser enfrentado hoje no Brasil: a dengue. É primordial o envolvimento da sociedade no combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Informação à comunidade, desenvolvimento de tecnologia, participação efetiva de todos os segmentos são as armas para a luta contra a dengue.
No momento em que Londrina vive um surto da dengue, dois pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina apresentam o resultado de um trabalho que criou um bioinseticida para o combate das larvas do mosquito Aedes aegypti. Um produto considerado ecológico, livre de agressão ambiental e que já é utilizado há 30 anos em outros países. O Brasil ainda não produz o bioinseticida, embora seja recomendado pela Organização Mundial de Saúde. A formulação não vai acabar com a proliferação do mosquito e erradicar a doença, que tem no seu principal meio de controle a conscientização da população. Todos devem saber que a água não pode ficar acumulada, ou se transforma em foco de proliferação do Aedes.
Respeitadas as proporções quanto ao sucesso da vacina da poliomielite, o bioinseticida da UEL pode ser mais um instrumento no combate à dengue. Para produzi-lo em escala industrial, na forma de comprimido ou grânulo para utilização em recipientes de água parada, os pesquisadores destacam a necessidade de construção de uma usina piloto, orçada em R$ 2,4 milhões incluindo a execução da obra e aquisição de equipamentos. Falta o dinheiro para a instalação da unidade. Mas não pode faltar a união de esforços para o desenvolvimento do projeto. Poder público e sociedade devem se unir para, juntos, resolverem esse e outros problemas.
JOSÉ ROBERTO VEZOZZO é empresário em Londrina

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