A um palmo do chão
As festas de final de ano têm uma característica ímpar: estimulam a solidariedade, mesmos entre aquelas pessoas que enfrentaram dificuldades durante o período de 12 meses que está se encerrando. E este especial, o do ano de 2003, foi típico, pois começou com a economia totalmente desacertada e, consequentemente, com a expectativa de milagres. Esperava-se que, de uma hora para outra, o governo que assumia o comando central da nação no dia 1º de janeiro pudesse equacionar uma série de problemas econômicos e sociais.
Mas milagres não acontecem. Também o governo, apesar de acenar soluções para algumas questões sociais, com programas emergenciais como o Fome Zero, deixou de responder à altura ao que a sociedade esperava. Com o passar dos meses, por reação própria do mercado e devido à participação fundamental da agropecuária, a economia brasileira encontrou rumos. Nenhum pacote milagroso ou excepcionalmente eficaz do ponto de vista técnico contribuiu para uma situação mais estável e tranquilizadora como a que a população desfruta atualmente.
Os apertos ainda castigam e as dívidas com as instituições financeiras agiram o sono de muitos brasileiros. A miséria, mesmo com o Fome Zero e outros programas de caráter emergencial, ainda é predominante e mostra a sua cara nas pesquisas feitas e divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.
O desemprego não apresentou queda nem no período de trabalhos temporários no comércio para as vendas de final de ano. A queda na renda do trabalhador brasileiro despenca à velocidade espantosa, com negativos aumentados a cada mês.
Tem-se, portanto, expectativas positivas em relação a 2004 por uma questão de vício, ou teimosia. O brasileiro é um povo persistente, que às vezes ri de sua própria desgraça ao mesmo tempo em que tenta consertar estragos causados por furacões, e os impactos que a economia costuma impor no orçamento da família nacional não deixa de ter a força de um ciclone.
Mas é fim de ano, as esperanças de se renova. A edição de domingo mostrou a iniciativa de um grupo de profissionais liberais, que anonimamente presentearam crianças carentes com brinquedos, como já fazem há alguns anos. Também o leito rleu na edição de ontem reportagem sobre uma organização não-governamental que beneficia crianças da faixa da pobreza com atividades culturais.
É a brisa leve que, felizmente, sopra a um palmo do chão, como dizia uma canção. É a força do Brasil, não avassaladora como um furacão, mas positivista e estimulante como viver num país justo.





