Produtores rurais, lideranças ruralistas, agrônomos e pesquisadores têm se debruçado em estudos sobre a viabilidade do plantio de soja na região do arenito caiuá. Se a pergunta se encontra agora sob o foco de tantos questionamentos, é porque uma experiência nova e bem-sucedida, se bem que ainda desconhecida ou deliberadamente ignorada por muitos, está levando por terra um velho tabu que condenava as terras do Noroeste do Paraná ao ocaso da monocultura.
O senhor Parreiras Rodrigues defende (em artigo publicado recentemente neste espaço) a adoção de projetos voltados ao incentivo da agricultura familiar. Se esta tese, em si, é indiscutível, os meios que preconiza para tal fim demonstram total desconhecimento dos princípios agronômicos que vêm sendo levados a termo em nossa região visando o desenvolvimento rural. Primeiramente, há que se argumentar que a adoção da soja na região do arenito caiuá não se faz de maneira exclusivista. Ao contrário, afinada com os caminhos trilhados pelas mais recentes pesquisas, a sojicultura no arenito se harmoniza com outras alternativas de ocupação (e reocupação) de nosso solo que estão se concretizando.
São elas a adoção do café adensado, o reforço à cotonicultura, o incentivo à comercialização de hortifrutigranjeiros, os projetos agroindustriais, e a busca da excelência na produção leiteira. Cabe lembrar que a pupunha (espécie de coco, cultura que o líder cocoicultor defende) já se encontra presente em municípios da região, como Pérola e Xambrê.
Como se pode notar, nossos pré-requisitos na adoção de alternativas de cultivo são justamente a diversificação da agricultura e a promoção de alternativas de produção que tenham viabilidade econômica e que ao mesmo tempo promovam a recuperação de nosso solo. Também não perdemos de vista a realidade gerada pela integração econômica do Cone Sul, que torna ainda mais estratégica a produção de grãos.
Agrônomos com experiência no cultivo da soja, oriundos das regiões Oeste e Sudoeste do Estado, hoje nos procuram para aderir ao plantio de soja no arenito, pois já não contam com a devida oferta de terras agricultáveis em suas regiões.
Se a pesquisa já constata resultados positivos no plantio de grãos em áreas de arenito pelo País a fora, porque deixaríamos de ocupar nosso quinhão neste processo de integração econômica? Deveríamos prosseguir nos contentando com o papel de escala no transporte dos grãos oriundos do Centro-Oeste brasileiro? E ver passar pelos nossos olhos a riqueza gerada pelo valor agregado de ICMS, a abastecer somente outros rincões?
Se a questão é o risco de desertificação do meio rural, cabe lembrar que este estigma não recai exclusivamente sobre o Noroeste do Paraná e sim ronda toda e qualquer região agricultável do Planeta sujeita à colonização predatória. Pois justamente nesta região que viveu no passado sob o signo da terra devoluta e desvalorizada, está em pleno desenvolvimento um importante sistema de rotação de culturas de alto teor ecológico, em que a cultura de soja pelo plantio direto proporciona a recuperação do solo degradado, garantindo a cobertura vegetal e até mesmo a oferta de forrageiras adequadas para o gado durante o inverno.
Neste sentido, talvez os opositores da soja no arenito desconheçam, por mera ignorância técnica, a alta taxa de incorporação de nitrogênio trazida pela modalidade de plantio direto. Em poucos anos, as lavouras de soja darão lugar a pastos enriquecidos com forrageiras nobres, capazes de suportar três vezes mais cabeças de gado. Isso quer dizer que falamos também em redução de custos para o pecuarista? Não há dúvida.
No que diz respeito à ocupação predatória do solo, não nos parece aceitável a defesa de plantios intercalados de forma aleatória, justamente quando se está alertando para o risco de abusar da consistência orgânica do solo. Pois, como diz o senhor Parreiras, referindo-se à colonização do Noroeste, ‘‘o solo ressentiu-se e ‘‘disse’’ que já não suportava tanta exploração’’. Ora, então porque quando se trata do plantio do coco, poderá o solo se tornar tão pródigo e aceitar indiscriminadamente ‘‘café, milho, feijão, abóbora, maracujá, pimenta-do-reino e melancia’’ no espaçamento dos coqueiros, como propõe o líder cocoicultor em seu artigo?
É preciso relembrar que o programa de plantio direto de soja no arenito surgiu por iniciativa da Prefeitura de Umuarama, com base num contrato social que estabelece o arrendamento de terras para o plantio de culturas de exportação. O prefeito Fernando Scanavaca previu que o programa se tornaria um modelo de cultivo não só para a região de Umuarama, como também para toda a região Noroeste, com seus 3 milhões de hectares de terra de arenito. As adesões crescentes ao sistema de plantio direto em outros municípios de solo arenoso, seguindo o exemplo do Programa de Arrendamento de Terras (Pater), provam que a previsão é mais do que correta.
- SIDNEI LUJAN é presidente da Sociedade Rural de Umuarama

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