A UFPR após a greve - Carlos Roberto Antunes dos Santos
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de julho de 1998
Carlos Roberto Antunes dos Santos 
Após uma greve de 87 dias, a Universidade Federal do Paraná retomou suas atividades regulares no último dia 13. Entendemos que a greve, se não trouxe resultados satisfatórios em termos salariais, teve aspectos positivos. A universidade pública nunca foi tão amplamente discutida no seu interior e fora dela.
Estudantes, servidores técnico-administrativos e docentes realizaram inúmeras assembléias, debates e atos públicos. Criou-se no Congresso Nacional o Grupo de Defesa da Universidade Pública, publicou-se o Manifesto em Defesa da Universidade Pública (disponível em correio eletrônico pelo endereço [email protected].) e os veículos de comunicação de massa publicaram inúmeras matérias com os mais diversos pontos de vista para o esclarecimento da opinião pública.
A greve acabou, mas a universidade pública continua em crise. No entanto, ela não pode parar, assim como a UFPR não parou durante a greve. Manteve seus serviços essenciais com o Hospital de Clínicas prestando atendimento e realizou com sucesso o 8º Festival de Inverno da UFPR em Antonina, uma atividade de extensão que desenvolveu várias modalidades de arte através de cursos, oficinas e espetáculos.
Na sua retomada às atividades normais, a instituição reafirma seu compromisso com a qualidade e cumpre seu papel social: avançar na produção da ciência e da tecnologia para contribuir na melhoria da condição de vida dos cidadãos, no crescimento da indústria, na produção e difusão da arte e cultura.
Continuamos a discutir a universidade. Serão criadas duas comissões essenciais para a vida universitária. A primeira será a Comissão de Instrumentos de Avaliação, para dar resposta à instituição da Gratificação de Estímulo à Docência, criada pelo MEC. A segunda será a comissão para discutir a autonomia universitária, tema que envolverá ampla participação da comunidade acadêmica e da sociedade civil.
Após muitos anos, estamos oferecendo novas vagas para o vestibular, num total de 66 vagas. Estamos implantando novos cursos de graduação: o de Gestão da Informação e o de Engenharia Industrial Madeireira, que vêm ao encontro das novas necessidades do mundo moderno, além de outros que estão sendo discutidos em nível de 2º grau, graduação e pós-graduação, com o objetivo de aprimorar a qualidade de ensino e pesquisa.
No âmbito da interação com a sociedade, a UFPR, através da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares, vai oferecer, em suas diversas áreas de conhecimento e tecnologia, o suporte a grupos sociais para a criação de cooperativas populares, que vão lhes gerar trabalho e renda. A incubadora é uma atividade extensionista inovadora que, no conjunto dos demais projetos de extensão, dá visibilidade do resultado das pesquisas na universidade e contribui para o resgate da cidadania.
Essas e outras atividades fazem da Universidade Federal do Paraná uma usina de criatividade, com iniciativas inovadoras e renovadoras para o ensino, a pesquisa e a extensão.
Por outro lado, continuaremos lutando para conseguir melhores salários aos docentes e servidores técnico-administrativos, bem como mais verbas para a garantia de qualidade dos serviços prestados pela Universidade junto ao MEC, atuando na Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), em conjunto com a Associação Nacional de Docentes de Ensino Superior (Andes-Sindicato Nacional) e Federação dos Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra).
- CARLOS ROBERTO ANTUNES DO SANTOS é reitor da Universidade Federal do Paraná


