Nessa quinta-feira haverá eleição para reitor da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Um colégio eleitoral de 15.000 pessoas, formado por alunos, professores e funcionários, irá escolher aquele que vai dirigir a UEM nos próximos quatro anos e projetá-la para o novo milênio. Um fato de suma importância para a universidade, principalmente nesse momento que estão sendo implantadas, no País, políticas que visam desmantelar a coisa pública e revogar direitos sociais conquistados ao longo desse século que finda.
Na UEM, o processo de eleição para reitor ganhou conotação diferente do que ocorreu recentemente na UEL (Universidade Estadual de Londrina) e na UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa). Nestas, os atuais reitores se candidataram à reeleição e se reelegeram. Na UEL, por decisão interna. Na UEPG, por força de lei estadual. Na UEM, ao contrário, depois de uma longa discussão interna, o Conselho Universitário não aprovou a possibilidade da reeleição.
Definidas as regras do processo, duas chapas se apresentaram para a disputa: a Chapa Ser UEM, de situação, tem como candidata a reitor a atual vice-reitora, professora Neusa Alto. Na oposição, a Chapa Opção Democrática tem como candidato a reitor o professor Luiz Alberto de Araújo.
Ao longo dos últimos 27 anos, a Universidade Estadual de Maringá se consolidou como uma universidade voltada sobretudo para o ensino e a pesquisa. Vários cursos de graduação alcançaram nota máxima na avaliação do MEC (Ministério da Educação) e diversos grupos de pesquisas são reconhecidos internacionalmente pela excelência da pesquisa que produz, além de outros tantos grupos emergentes que começam a se destacar em nível nacional.
Resultado disso foi o fato da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) definir a UEM como sede de sua 6ª Reunião Especial, que será realizada em outubro e tem como tema ‘‘As Cidades de Médio Porte’’. Nesse evento, milhares de pesquisadores do Brasil e dos países do Mercosul estarão debatendo o futuro de nossas cidades.
Devemos aproveitar esse patrimônio inestimável conquistado pela UEM para dar um novo salto de qualidade. Mas isto requer reformas profundas no ensino, na organização administrativa e na gestão financeira. Cabe ao futuro reitor tomar essas medidas procurando estruturar administrativa e financeiramente a universidade, tornando-a mais ágil em sua burocracia e visando atender às demandas crescentes por um ensino superior de qualidade, desenvolver pesquisas científicas e culturais voltadas para as necessidades da sociedade e implementar uma política de extensão, cultural e artística.
No mundo todo, universidades de qualidade e a pesquisa nelas realizadas são financiadas primordialmente pelo governo, respeitando a liberdade acadêmica. Mesmo nos Estados Unidos, onde se propala a eficiência do ensino privado, 80% dos alunos do ensino superior estudam em instituições públicas e as pesquisas desenvolvidas nas melhores universidades privadas são financiadas quase que exclusivamente pelos governos federal e estaduais. No Brasil, o modelo de eficiência ainda é e continuará sendo por um bom tempo a universidade pública. Qualquer reitor que venha defender tese contrária estará colocando em risco o futuro da universidade pública, gratuita, democrática e de qualidade.
Além disso, faz-se necessário lutar pela implementação da verdadeira autonomia universitária e uma definição rigorosa do financiamento de suas atividades. Somente com autonomia efetiva as universidades poderão formular um plano estratégico de longo prazo, voltado para o ensino, a pesquisa e a extensão, que ultrapasse as políticas imediatas e cotidianas elaboradas por essa ou aquela administração. É evidente que a autonomia pressupõe responsabilidade frente ao orçamento definido e frente ao desempenho científico. E aqui entra a questão do mérito: quem produzir mais e melhor terá mais recursos. Quem não produzir, pouco futuro terá na instituição. Isso quebra o corporativismo reinante dentro das Universidades e projeta novas relações determinadas pela excelência da produção acadêmica e pela qualidade do ensino ministrado.
Esperamos que o futuro reitor da UEM perceba o momento crucial que vive a universidade pública e gratuita brasileira nesse limiar do século XXI e implemente políticas baseadas nos valores acadêmicos e de ensino, capaz de formar lideranças intelectuais e de integrar a universidade com a sociedade.
- ÂNGELO PRIORI é presidente da Associação dos Docentes da UEM

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