A UEM e os desafios do futuro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de setembro de 2002
Angelo Priori 
O Conselho Universitário da Universidade Estadual de Maringá (UEM) homologou, na última segunda-feira, os nomes dos novos Reitor e Vice-Reitor da instituição, eleitos majoritariamente pela comunidade universitária. Terminado o processo eleitoral, é hora de deixarmos as paixões políticas de lado e pensarmos nos muitos desafios que teremos pela frente. A UEM precisa se tornar uma universidade efetivamente compromissada com a comunidade, com o Estado e com o País, uma universidade que não perca em nenhum momento as suas características fundamentais, que é de formar profissionais qualificados e cidadãos ativos para exercerem as mais diversas atividades; e a de produzir o saber e o pensamento crítico nas diferentes áreas do conhecimento científico, tecnológico e cultural.
O primeiro desafio que precisa ser discutido e resolvido é a questão da autonomia. Defendemos um projeto de autonomia, em consonância com as constituições Federal e do Estado do Paraná, que garanta a existência da universidade pública, gratuita e de qualidade, mas que permita também o seu crescimento. Nesse sentido, é fundamental a definição de um percentual mensal da arrecadação do Estado, seja do ICMS ou das Receitas Tributárias do Estado e a liberdade para que os administradores possam manusear valores entre rubricas e aplicar convenientemente os recursos conforme as deliberações dos Colegiados Superiores de cada universidade e da legislação vigente. Obviamente que tudo isso, sob a rigorosa fiscalização da sociedade e dos órgãos estatais competentes.
Um segundo desafio refere-se à questão do ensino de graduação. Nos últimos anos, a UEM vem investindo na ampliação dos cursos e vagas no ensino de graduação (são 20 novos cursos e 900 vagas), abrindo a possibilidade de mais alunos frequentarem os bancos escolares da universidade pública e de receberem uma formação profissional de qualidade. No entanto, tem faltado a formulação e a implementação de uma política clara e uma atuação determinada com o objetivo de apoiar, incentivar e criar infra-estruturas adequadas para o bom desenvolvimento dos cursos já existentes.
As condições nem sempre ideais das salas de aulas, a deficiência de equipamentos e produtos essenciais nos laboratórios, a defasagem do acervo de livros e periódicos e a falta de espaços nas bibliotecas central e setoriais, são alguns exemplos. É imprescindível que a UEM priorize o ensino de graduação e de pós-graduação, fazendo a integração dos dois níveis. Não existe ensino de pós-graduação forte sem o ensino de graduação também forte.
Um terceiro desafio é o seu relacionamento com a comunidade. Faz-se necessário ampliar as fronteiras entre a universidade e a sociedade, o que significa propor a abertura da universidade para a sociedade. Isso implica em estabelecer políticas para defender e compartilhar os bens comuns, que são os conhecimentos e os saberes. São funções tanto da sociedade como da universidade, colocar o conhecimento e o saber a serviço da democracia e da justiça social. É importante reforçar a idéia de que as universidades precisam privilegiar políticas e ações, pesquisas e atividades de extensão, que a aproximem de segmentos da sociedade brasileira e de seus movimentos identificados pela exclusão social e distanciados desse espaço público de produção de conhecimento e da cultura.
Um outro desafio fundamental, para que a UEM possa continuar sendo um espaço público de produção do conhecimento, coerente com as suas funções sociais, tem de ser no sentido de orientar a sua gestão por princípios que levem em consideração as nossas características próprias, mas que também destaquem a finalidade pública e social das atividades universitárias.
Há uma certa unanimidade entre docentes, funcionários e alunos que um dos problemas das universidades, como de todo órgão público, é a burocracia. Nesse sentido, só há uma fórmula: mexer na máquina burocrática e reorganizar a ação administrativa. Cabe a uma gestão democrática da universidade pública explicitar claramente as suas finalidades e os meios de que dispõe para atingi-las. O planejamento estratégico, democrático e descentralizado deve nortear a definição de prioridades, metas e objetivos a serem alcançados.
ANGELO PRIORI é doutor em História e vice-Reitor eleito da Universidade Estadual de Maringá


