Para surpresa da comunidade da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e londrinense, três deputados estaduais propuseram na Assembléia Legislativa a federalização da UEL. Na democracia aqueles que nos representam devem ter conhecimento de causa e consequência para fazerem uma proposta de tal envergadura. A UEL, apesar de todos os problemas ocorridos nos últimos anos, tem conseguido vencê-los graças ao compromisso, obstinação, entusiasmo e competência da comunidade universitária e do apoio da população londrinense e regional.
Nossa UEL é um patrimônio de Londrina e do Estado do Paraná. As dificuldades em todas as universidades estaduais e federais são resultados do chamado neoliberalismo, cujas políticas prejudicam o mundo e afetaram bastante o Brasil e o Paraná nos últimos oito anos. Nesse período o compromisso com o caráter público das instituições de ensino superior foi substituído pela ''lógica de mercado'', a privatização esteve sempre na ordem do dia. Apesar do discurso contradizer a prática, a privatização não explícita ocorria através da progressiva escassez de recursos para estas instituições.
Continuamos com dificuldades, mas nunca o sistema de Ensino Superior do Paraná foi levado tão a sério. Um exemplo importante foi a criação, logo no início deste governo, do Conselho de Reitores que além das Universidades Estaduais inclui também a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o Cefet (Centro de Educação Federal Tecnológico), representantes legítimos da comunidade universitária paranaense. Este Conselho está repensando o Sistema de Ensino Superior Público do Estado, a médio e longo prazos. Levando-se em conta que a posse dos governos se deu há pouco mais de quatro meses, muitas mudanças já estão ocorrendo e reivindicações antigas como a regularização dos cargos dos servidores de todas as Universidades Estaduais estão sendo encaminhadas.
Em todas as avaliações, a UEL figura entre as melhores universidades brasileiras, para orgulho da população regional e do Paraná. Se os deputados interessados na federalização pensam no bem dos londrinenses, paranaenses e brasileiros, aconselho que se informe como estão financeiramente as universidades federais. A leitura dos jornais já ajudaria bastante. Um exemplo, fartamente noticiado no ano passado, foi o caso da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que teve a energia elétrica cortada por falta de pagamento.
É importante que estes deputados, juntamente com os demais (estaduais e federais) apoiem qualquer movimento de ampliação e melhoria do ensino superior público brasileiro. Sugiro que aqui no Paraná articulem um movimento para implementação de mais uma universidade federal, contribuindo para que mais cidadãos tenham acesso ao Ensino Superior público e gratuito. Assim estariam tais parlamentares prestando uma grande contribuição, pois atenderia a uma reivindicação mais do que justa. Para subsidiar o debate, é importante lembrar que temos somente uma universidade federal, enquanto Minas Gerais tem 12 e o Rio Grande do Sul seis e que o Paraná e São Paulo, são os Estados que mais investem no Ensino Superior público. Mesmo assim necessitamos de milhares de vagas públicas para atender nossa população. Qualquer ação no sentido de atender esta demanda, a UEL, representada pela sua reitora, estará sempre empenhada em contribuir sem medir esforços.
LYGIA PUPATTO é reitora da Universidade Estadual de Londrina

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