A Universidade Estadual de Londrina vem melhorando sua performance nas avaliações nacionais e internacionais: está no Top 100 da QS University Rankings: Latin America 2016, ocupando a 86ª posição entre as instituições de ensino superior da América Latina; 23ªcolocada no Ranking das Universidades da "Folha de S.Paulo" e, recentemente, foi incluída pela primeira vez no do Times Higher Education Brics, sendo considerada a melhor universidade estadual da Região Sul, a segunda universidade do Estado, a quinta entre as estaduais do País. A avaliação do Brics pontua as universidades de 50 países de economias emergentes, e nela a UEL está entre as 300 melhores.

Devido à sua política de ensino definida pela comunidade acadêmica, de suas pesquisas de ponta em diversas áreas do conhecimento, da qual fazem parte professores, alunos e servidores técnicos-administrativos, e de suas práticas extensionistas de sucesso, a UEL tem despontado no cenário internacional da produção do conhecimento como uma universidade jovem e dinâmica e de grandes potencialidades.

Isso é algo para ser comemorado pelo governo do Estado e pela comunidade londrinense, mas não é o que se observa. A UEL vem sendo vilipendiada a cada dia por difamações recorrentes; pelo desrespeito às suas deliberações por quem deveria garantir a sua observação; por ações de vandalização de seu patrimônio por gente alheia a ela e pelos acenos autoritários de quem a capitaneia, que não a defende das intromissões e ataques. Parece que a comunidade que devia se orgulhar das conquistas quer pautá-la.

Não se pauta uma universidade. Desde a fundação da Universidade Bolonha, em 1088, um campus é o local destinado à diversidade, marcado pelas experimentações, contradições, forças inventivas, transgressões, um espaço onde se alargam as liberdades e se pode transitar sem peias. Nele convivem os diferentes e as diferenças são amainadas por conselhos internos e autônomos, paritários ou não. Não é a sociedade civil que autoriza, nem as entidades classistas que deliberam os destinos, tampouco são os jornais e programas de tevê que dizem como deve funcionar a Universidade. Isso é competência exclusiva de seus membros, todos e cada um deles. À comunidade externa cabe usufruir dos serviços, conquistas, confortos, conhecimentos, técnicas, tecnologias, produtos e produções artístico-culturais desenvolvidos.

Ainda que o custeio e fomento venham dos recursos do Estado, suas regulamentações são construídas pela coletividade que a compõe e seguem estritamente o que está autorizado pelas leis do país. É uma constante luta pela autonomia: ser gerida pelos recursos públicos e não aceitar intervenções em suas linhas de pesquisa, organização acadêmica e sistemas de representação e gestão. Por isso que é intolerável a falta de compromisso do governo com os servidores e com o custeio, pois compromete a sua infraestrutura e seu funcionamento. Também são inaceitáveis as interferências do Ministério Público nas instâncias de deliberações legais da Universidade e as atitudes de pretensos porta-vozes da comunidade externa que insuflam invasões e depredações.

Em diversos momentos da história tentaram submeter a Universidade à vontade de uma pessoa, grupo ou instituições, mas todas essas iniciativas acabaram por enfraquecê-la e condená-la ao obscurantismo. O cosmopolitismo universitário impedido de se expressar vira a mediocridade inerente ao bairrismo e às questões provincianas, cerceando a sua força criativa e seu impulso transgressor. Quem não compreende isso está fadado a nunca conhecer o que é uma Universidade, cujas paredes têm histórias que devem ser respeitadas, pois são patrimônio, mesmo que o senso comum nelas veja apenas rabiscos e sujeiras.

MARCO SOARES é historiador e professor do departamento de História da Universidade Estadual de Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res.
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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