A adesão de docentes e servidores à greve é absolutamente natural e compreensível, considerando-se a defasagem salarial causada pela falta de reajustes salariais adequados para compensar a inflação. O apoio popular a essas reivindicações estava claro até a suspensão do vestibular. Esse foi o limite simbólico que não poderia ter sido ultrapassado pelo movimento, doloroso, porém justo até aquele momento.
O impedimento dos vestibulandos ao acesso à universidade pública, gratuita e de qualidade foi a gota d'água. A manutenção da greve ultrapassou os limites do razoável e do aceitável, o movimento de greve atravessou o Rubicão. A sociedade consentiu no quase fechamento do nosso Hospital Universitário, mas a pressão que o Conselho Universitário sofreu para suspender o vestibular foi fatal.
Aderir e apoiar são atitudes positivas. O que se critica é a omissão. Omissão do governo que deveria ter iniciado o processo de negociação mais precocemente e se esforçado em construir uma proposta mais consistente.
Omissão da própria administração da universidade que poderia ter agido com mais energia, tanto na obtenção de um acordo, quanto na construção de um ambiente mais respeitoso e seguro para que as decisões dos seus conselhos superiores fossem tomadas em clima de tranqulidade e sem pressão. Falhamos também na exigência de maior respeito aos direitos ao acesso da população ao Hospital Universitário.
Omissão dos docentes e servidores responsáveis que, compreensivelmente revoltados pelo desrespeito com que têm sido tratados pelo governo do Estado, deixaram os limites serem ultrapassados e foram induzidos ao erro por lideranças que, embora cobertas de razão, passaram a ter um comportamento equivocado e radical, perdendo o respeito da sociedade. A desconsideração do comando de greve para com Dom Albano Cavallin e outros líderes da sociedade que deram seu aval de garantia para que o termo de compromisso obtido do governo, a duras penas, fosse cumprido, é notória. Foi um tratamento descortês, impróprio e inaceitável.
Omissão do poder municipal que, ao dar seu apoio incondicional ao movimento, participando de atos públicos, não quis ou não soube impor limites aos prejuízos sofridos pela sua comunidade.
Omissão da sociedade que, salvo raras exceções, se revolta tardiamente contra os prejuízos causados pelo adiamento do vestibular, mas que consente em que o Hospital Universitário seja usado como um instrumento de greve, além do tolerável.
Omissão dos alunos, pais de alunos, donos de cursos pré-vestibular, vestibulandos, comerciantes e hoteleiros que só agora acordaram para as dificuldades por que passam a UEL e seus alunos, docentes e funcionários.
O saneamento e a reconstrução da Universidade Estadual de Londrina é um dever de todos nós: administração da UEL, governo do Estado, poder municipal, sociedade, alunos, docentes e servidores técnico-administrativos.
Aderimos às reivindicações justas, mas é hora de voltarmos os olhos para a reconstrução da Universidade Estadual de Londrina.
A omissão das pessoas sérias e responsáveis da cidade de Londrina, neste momento, implicará num alto custo: a perda do nosso maior patrimônio.
É tempo e hora de uma reação em cadeia, em forma de uma grande e efetiva ação, para resgatar a estrutura e a imagem da UEL.


- PEDRO GORDAN é reitor da Universidade Estadual de Londrina

mockup