A Ucrânia não é peão de ninguém
Essa visão não só é ultrapassada, como também desrespeitosa.
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segunda-feira, 10 de março de 2025
Essa visão não só é ultrapassada, como também desrespeitosa.
Adriana de Cunto 
A guerra na Ucrânia tem revelado muito mais do que batalhas no campo militar. No campo das narrativas, o que vemos é uma tentativa persistente de tratar a Ucrânia como um país incapaz de tomar suas próprias decisões, como se fosse um "filho rebelde" que precisa da supervisão do "pai" americano. Essa visão não só é ultrapassada, como também desrespeitosa.
As tensões recentes entre Zelensky e Trump retratadas na mídia escancaram essa postura paternalista. Trump, em um tom quase arrogante, tentou pressionar Zelensky a aceitar um acordo que claramente não atendia aos interesses ucranianos. A resposta? Um sonoro "não". E com razão! Afinal, como confiar em acordos com a Rússia quando todos os anteriores foram quebrados? Zelensky deixou claro: "Não estou jogando pôquer. Estou falando de uma guerra real." Uma frase certeira para quem ainda acha que a Ucrânia está brincando de política internacional.
O mais curioso é a insistência em pintar os Estados Unidos como o pilar sem o qual a Ucrânia desmoronaria. Será mesmo? Enquanto muitos acreditam nessa narrativa, os ucranianos seguem resistindo com estratégias inovadoras e tecnologia própria, como os drones que têm virado o jogo no campo de batalha. A ajuda americana é importante? Claro! Mas achar que sem ela tudo estaria perdido é subestimar a força e a determinação de um povo que luta pela sua liberdade.
Essa visão paternalista precisa acabar. A Ucrânia não é um joguete nas mãos das potências globais. É um país soberano, com líderes que sabem muito bem o que querem e o que precisam. E se isso incomoda quem está acostumado a ditar as regras do jogo, talvez seja hora de rever os papéis nesse tabuleiro geopolítico.
Ruy Carneiro Giraldes Neto, servidor público


