A triste estatística do extermínio de adolescentes
Embora a localização do Paraná, que faz fronteira com dois países, propicie a intensificação da criminalidade, é uma péssima propaganda para o Estado a revelação do elevado volume de assassinatos de adolescentes e jovens em Foz do Iguaçu, posicionando a cidade, sob esse aspecto, como a mais violenta no confronto com a média nacional. Não é nenhum consolo a Secretaria de Segurança dizer que o índice de homicídios já foi maior, porque a realidade revelada é estarrecedora.
O Estado é pouco operante, porque falham os sistemas de policiamento e as políticas sociais de atendimento ao menor e à juventude, que nessas condições descambam para o tráfico. Assim, muitos menores envolvidos nessas operações de distribuição são assassinados pelos próprios companheiros nos acertos de contas. O levantamento é da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, do Fundo das Nações Unidas para a Infância e do Observatório das Favelas.
O índice de Foz é de 9,7 mortes para cada grupo de mil jovens. Mas não é apenas essa cidade, porque na lista estão 16 outras do Paraná onde o volume de assassinatos de jovens é alto. São José dos Pinhais (cidade anexa a Curitiba) figura com a pontuação 4,27; Cascavel com 3,68, Curitiba com 3,03 e Londrina 3,01. Maringá, dentre as cidades paranaenses, tem o volume mais baixo nesse ranking: 0,31.
O que falta é a adoção de políticas de combate a esse estado de coisas e também de doses mais elevadas de humanismo, porque são crianças na faixa de 12 anos e jovens de até 18 que vão tombando, parecendo que as autoridades e a sociedade achem bom que minitraficantes como eles - a serviço de adultos e de organizações criminosas - sejam eliminados, no caso pelos seus iguais. Uma sinistra possibilidade é que camadas da população aprovem esse extermínio e, eventualmente, que os próprios organismos policiais se importem pouco com essa matança, por tratar-se de deliquentes (os que matam e os que morrem), portanto, pessoas que estão à margem da lei e naturalmente perigosas.
Se a delinquência infantil e juvenil hoje é frequente, sobretudo nos núcleos urbanos maiores, o Paraná não pode ostentar a liderança nacional de ter a cidade onde mais crianças e jovens são assassinados. Depois da revelação dessa triste estatística, seria oportuno a população ser informada sobre o que as autoridades do Estado pretendem fazer. Não se imagina que acreditem já estarem fazendo a parte que lhes cabe, porque isto não é verdade. O governo precisa tomar uma posição a respeito porque cada adolescente que morre nessas condições é um dedo em riste contra o Estado.





