A trágica marca dos 100 mil mortos
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segunda-feira, 10 de agosto de 2020
Folha de Londrina 
No sábado (8), véspera do Dia dos Pais, o Brasil ultrapassou a marca de 100 mil mortos pelo novo coronavírus. Ao mesmo tempo, o país chegava aos três milhões de casos registrados da Covid-19.
A doença, que nem era conhecida por aqui no início de 2020, chegou ao oitavo mês do ano como uma das principais causas de óbitos entre os brasileiros, disputando os primeiros lugares com as doenças cardíacas, acidentes de trânsito e mortes por armas de fogo.
Cem mil é o número de habitantes de muitos municípios brasileiros, como Cambé, na Região Metropolitana de Londrina. É como se uma cidade inteira desaparecesse. É mais gente do que comporta, por exemplo, o Estádio do Maracanã.
Em algumas partes do Brasil já se fala em imunidade coletiva e o principal exemplo que surge é Manaus. Isso acontece quando uma grande parcela da população foi infectada por um vírus e essa situação passa a contribuir com a diminuição de casos.
Mas a imunidade coletiva é alcançada com sofrimento e mortes. Será à custa desses 100 mil mortos e do sofrimento de tantas famílias que o Brasil acabará atingindo a tão comentada imunidade de rebanho?
O pior já passou ou ainda está por vir? Não é possível chegar a um número desse sem questionar responsabilidades e sem olhar para trás e verificar o que poderia ter sido feito diferente. O que a sociedade e os governos devem fazer para evitar que nos próximos meses outras milhares de vidas se percam?
Em números absolutos, o Brasil ocupa o segundo lugar mundial na triste competição do ranking de mais mortos por Covid-19. EUA estão no desonroso primeiro lugar.
Não há dúvidas que a sucessão de troca de comandantes no Ministério da Saúde e as polêmicas desnecessárias contribuíram para uma desarticulação entre governos (federal, estaduais e municipais).
Agora, mesmo que tarde, os governos devem se articular e o Ministério da Saúde precisa projetar uma política de enfrentamento nacional. Mesmo porque a pandemia está longe de acabar e embora há notícias otimistas em relação ao desenvolvimento de vacinas, não sabemos quando elas chegarão ao mercado.
E por falar em vacina, a maior certeza da pandemia é a ciência voltando a ocupar o seu lugar de importância na humanidade, apesar da contaminação do negacionismo científico em vários países. Em meio à tragédia, a pesquisa científica é a grande protagonista. Nunca se estudou e se descobriu tanto, em tão pouco tempo, sobre uma doença.
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