A tragédia do Paraguai, um alerta
O fato de o incêndio, com quase três centenas de mortos, haver ocorrido no Paraguai não significa que não tenha proximidade com todas as pessoas, dentro e fora do país vizinho, e que a tragédia que lá aconteceu não sirva de alerta para o mundo. Porque é norma, em grandes centros de compras como o supermercado sinistrado na capital paraguaia ordenar que as portas sejam fechadas quando algo anormal ocorra, como falta de energia elétrica, princípio de incêndio e outros incidentes do gênero. Tal determinação, partida dos donos desses estabelecimentos, é para evitar que fregueses saiam com as mercadorias, sem pagar. No Paraguai essa ordem também foi dada e executada imediatamente pelos seguranças, resultando no impedimento de as pessoas saírem e na calamidade que se sucedeu. Ocorre que no Brasil também é assim, e caso bem próximo e recente aconteceu em Londrina, 15 dias atrás. Diante do corte de energia elétrica no recinto um conglomerado de lojas motivado pela sobrecarga de aparelhos de som durante um evento interno, as portas foram fechadas e as pessoas ficaram presas, sem saber a razão do apagão. Não foi um incêndio, mas poderia ter ocorrido um pânico geral, pois havia muita gente presente. Não será necessário advertir sobre o que pode decorrer dessa prática, após o doloroso episódio do Paraguai. Entre os prejuízos provocados por fregueses que se valem de uma tal situação e uma catástrofe, como a que acaba de acontecer, nem é preciso fazer comentários. Prevaleceu a preocupação maior com o dinheiro e menos com as pessoas, e nada há de mais imprudente e odioso do que uma atitude como essa. Estarrece saber que esta é a ordem também no Brasil e certamente em muitos outros países. Que o triste exemplo de agora sirva, ao menos já que as vidas não podem ser recuperadas para que esse costume tão vil seja modificado e que se crie lei específica proibidora de fechar as portas de saída, justamente quando elas deveriam ser escancaradas. A legislação, no Brasil, determina que, em locais de espetáculos públicos, haja saídas de emergência, e com os shoppings e supermercados acontece exatamente o contrário: em momento de tragédia ou iminência de tumulto, as invés de abrirem-se portas de saída elas são fechadas. Um crime contra a segurança pública, parecendo não haver preocupação com isso, porque tal prática converteu-se em norma, simplesmente arbitrada pelos proprietários desses estabelecimentos e posta em prática por determinação deles.





