A tragédia de Paraisópolis
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terça-feira, 03 de dezembro de 2019
Folha de Londrina 
Independentemente da legitimidade do uso da força pela polícia, nenhum país ou corporação pode comemorar o resultado de uma operação que acabou em mortes. Isso precisa ser levado em conta quando se analisa o resultado trágico de uma ação da PM (Polícia Militar) de São Paulo em baile funk na favela de Paraisópolis, na zona sul da cidade de São Paulo. Nove jovens morreram pisoteados e outras sete pessoas ficaram feridas na ocorrência registrada na madrugada de domingo (1º).
Relatos de testemunhas e imagens divulgadas apontam que a multidão foi encurralada pela polícia em vielas estreitas da comunidade. Alguns tropeçaram e acabaram morrendo. Vídeos também mostraram policiais chutando um homem caído e batendo nas pessoas com cassetetes.
A PM afirma que a confusão começou após uma perseguição a suspeitos em uma moto com quem trocaram tiros. Ainda segundo a polícia, os criminosos entraram no baile funk atirando. O uso de granadas de efeito moral e disparo de balas de borracha pelos policiais ajudaram a espalhar o pânico e colocar uma multidão em fuga.
A versão da PM é contestada por testemunhas que disseram não terem visto perseguição a uma moto. De qualquer maneira, os motociclistas que teriam invadido o baile antes da polícia não foram presos. Ou seja, a operação foi um total fracasso. Inocentes morrem pisoteados e nenhum criminoso acabou preso.
Esse baile funk em Paraisópolis é um dos maiores de São Paulo e costuma reunir entre três mil a cinco mil pessoas. Ajuda a movimentar o comércio da comunidade, mas a sua grandiosidade gera muitos problemas para os moradores porque não tem um organizador e acontece nas ruas da favela, de forma descentralizada, com vários carros de som. O barulho, por exemplo, dura a noite toda.
É certo que o poder público tem o dever de fiscalizar esse tipo de evento, justamente para evitar que incomode quem quer dormir e também para garantir a segurança dos frequentadores. Mas uma operação como a que foi realizada no último fim de semana precisa ser pensada antecipadamente, além de envolver o alto comando e ter o mínimo de planejamento estratégico.
A tragédia de domingo não foi por falta de treinamento dos policiais. As PMs de vários Estados são treinadas para lidar com operações que envolvem eventos com grandes aglomerações. Mas, infelizmente, no caso de Paraisópolis, não colocou na prática o preparo que recebeu.
Uma investigação será realizada para apurar os responsáveis. É mais um caso triste de tragédia envolvendo inocentes e não pode ficar impune. Só a indignação da sociedade poderá evitar que acontecimentos tristes como esse voltem a se repetir.
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