A tragédia de Mariana
As cenas de destruição parecem de um furacão. Mas a devastação que se vê na cidade histórica de Mariana (MG) não foi causada por um evento climático. A enxurrada gigante de lama que destruiu o distrito de Bento Rodrigues foi provocada pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco. São as barragens do Fundão e de Santarém. Cinco dias depois do desastre, as imagens que se vê nos jornais, televisão e internet são assustadoras. Um mar de lama cobre o que foi um bairro inteiro: carros virados, casas sem telhados e invadidas pelo barro, animais vagando perdidos pelo lugar e o trabalho incansável dos bombeiros que buscam os desaparecidos - quase 30 pessoas.
Não dá para prever as consequências de um acidente de tamanha proporção como o ocorrido em Mariana. Pessoas morreram e famílias perderam tudo o que havia em suas casas e pontos comerciais. O cenário nunca será como antes e os rios que passam por Mariana estão carregando a lama para outras cidades. A sujeira chegaria ontem ao estado do Espírito Santo. Embora a empresa afirme que o rejeito é composto, em sua maior parte, por areia e não apresenta elemento químico danoso à saúde, é preciso que um órgão público ateste a veracidade dessa informação. O Ministério Público (MP) de Minas Gerais coletou amostras da lama junto às barragens para verificar se o material é tóxico. O resultado deve sair em dezembro. A Samarco é uma das maiores exportadoras do Brasil e produz pequenas bolas de minério de ferro que são usadas na produção de aço.
Cinco promotores de Justiça estão conduzindo o inquérito para apurar as causas e a responsabilidade pelo rompimento das barragens. O Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Minas Gerais disse que a barragem do Fundão, a primeira a romper, estava regular e foi inspecionada por um auditor especialista em segurança de barragens. Já o Núcleo de Combate a Crimes Ambientais do Ministério Público informou que o MP foi contrário, neste ano, à renovação de licenciamento das barragens.
Agora, o inquérito vai verificar se as normas do licenciamento ambiental foram cumpridas e apurar as causas e as responsabilidades do acidente que desabrigou 650 pessoas. A empresa não tinha um plano de alerta de desastre para os moradores do distrito. Na falta de um sinal sonoro, por exemplo, os moradores foram avisados pelo telefone que uma avalanche de lama se aproximava. Não se pode apontar culpados antes do fim das investigações, que precisam ser conduzidas com rigor. Por enquanto, o que se pode afirmar é que nenhuma barragem se rompe por acaso.





