''Eu via muitas crianças tendo o carinho do pai e da mãe e meus pais não estavam por perto. Via as crianças tendo festinhas de aniversário e ninguém cantava parabéns para mim. Dentro da minha casa era só briga, tudo isso ia me dando uma revolta muito grande. Com seis anos já comecei a roubar.''
Assim, Mateus, 17 anos, nascido e criado em Maringá, explica porque se tornou um menor infrator. Em menos de uma hora de conversa, ele reclamou diversas vezes de não ter crescido em uma família ''normal''.
Quando Mateus tinha cinco anos, seu pai foi preso por tráfico e roubo. Então, a mãe do garoto pediu divórcio e encarregou a avó de criar os oito filhos. Aos seis anos ele já roubava para comprar solvente, a primeira droga em que foi viciado. ''Quando tinha algum problema, cheirava para ficar mais calmo. Com isso não consegui estudar, pois as drogas me deixavam bobo. Minha avó não dava conta de cuidar da gente.''
Aos 12 começou a ''roubar pra valer''. Vendia o que furtava e gastava todo dinheiro com crack e cocaína.
Internado há mais de um ano, Mateus garante que sua mente agora é outra, tanto que não pensa em voltar para a rua. ''Quero fazer o máximo de cursos que puder aqui dentro, aprender muito e, quando chegar a hora de sair, prefiro ficar um tempo na semi-liberdade, para estar bem preparado para o mundo lá fora. Meu sonho é ter uma família e dar ao meu filho o carinho que não tive.''
(W.S.)

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