Há quase três milênios, o profeta pisando sobre a terra, contemplava o infinito e deslumbrava-se com a beleza celestial do universo. E, numa procedente reflexão, exclamou: ''Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite. Sem linguagem, sem fala, ouvem-se as suas vozes.''
Esta glorificação foi registrada no começo do Salmo 19, numa sensibilidade divina de exaltação ao Criador.
O homem, imagem e semelhança de Deus, não podia, só por causa do intervalo de tempo, esquecer-se do Criador. Agora, ao findar o Século XX, o homem moderno, como se fosse um semideus, passeando pela órbita celeste e com mesma admiração, tal como o profeta, também exclamou: ''Meu Deus, a terra é azul''!
O antigo e o moderno; o velho profeta e a tecnologia do homem contemporâneo, mesmo em diferentes posições, consolidaram-se harmoniosamente, na admiração ao superior. Ainda que estivessem distantes no tempo e no espaço, contudo, unidos em espírito, elevaram seus pensamentos a Deus, pelo reconhecimento do poder dele sobre o universo.
Esse poder imensurável que dá o dinamismo, a direção e o sentido à grande espaçonave azul, só pode ser Deus. Ele assentou a terra sobre o nada. Ainda que, afixada sobre os imagináveis pontos do itinerário elipsóide e ainda como se estivesse transpassada por um eixo espiral sobre o qual gira proporcionando o dia e a noite para estabilidade de seus tripulantes.
Essa espaçonave azul chamada terra, navegando no espaço sideral, além de levar mais de seis bilhões de passageiros, leva ainda três problemas de difíceis soluções: a explosão demográfica, a degradação do ambiente e a escassez de víveres.
A população cresce em progressão assustadora. Assim, vamos duplicar a população, antes mesmo de findar o século XXI, e, com certeza, não haverá provisões para todos. Na impossibilidade de pilotar a grande espaçonave com excesso de passageiros, deve-se planejar não só a natalidade, como também os meios de subsistência. Porque os terráqueos não se alimentam de veículos movidos a petróleo, de aviões-caça, de mísseis ou de torpedos; nem do ouro, nem da prata ou de qualquer pedra preciosa.
Dizem que as nações mais ''inteligentes'' já possuem um arsenal bélico explosivo assustador, capaz de exterminar a espécie humana. A obsessão pelo poder, a exemplo das grandes potências, produz distúrbios psíquicos em seus governos, impondo sobre eles o jugo da irracionalidade e da força bruta. Diante dos problemas, aparentemente insolúveis, que faremos? Pedro, o apóstolo, falou sobre a reforma dessa espaçonave azul. Vejam o capítulo terceiro de seu segundo livro, versos 7 a 13.
NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA é evangélico e professor em Londrina

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