A terra prometida - Maria Lucia Victor Barbosa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de maio de 1998
Maria Lucia Victor Barbosa 
Antes de começar esse artigo quero recordar um dos meus leitores mais assíduos e atentos: Oribe Frigeri. O Grande Conselheiro da Ordem Rosacruz, AMORC, e um dos fundadores da Loja Rosacruz Londrina, realizou domingo passado a iniciação pela qual todos nós devemos passar um dia. Foi-se serenamente o amigo sempre cordial, levando seu constante sorriso de bondade e deixando a lembrança de suas palavras sábias, de seu exemplo de vida conhecido por todos que com ele conviveram, seja nos tempos em que era diretor da Rádio Difusora, seja no Candeias Clube Turismo, onde trabalhava, seja como membro do Elos Clube de Londrina. A Oribe Frigeri minha homenagem, e minha gratidão que irá perdurar pelo seu incentivo sempre dado a esta teimosa mania que sempre me acompanhou: a mania de escrever.
Passo agora ao assunto do artigo. Ele é a meu ver relevante de modo geral, e apropriado para o momento. É relevante porque nos leva a refletir sobre o ser humano, capaz de grandes feitos, de gestos de solidariedade, mas também sujeito à ignorância causadora do preconceito, do fanatismo, das atrocidades sem conta. E é temática apropriada por conta do cinquentenário da criação do Estado de Israel, celebrado segundo calendário lunar judaico no dia 30 de abril. Então atravesso um portal da história e penetro no complexo tema que trata de um povo admirável: o povo judeu.
Diz a Bíblia que Abraão guiou as tribos semíticas estabelecidas na Caldéia para Canaã, a Terra Prometida, e os que para lá foram se fizeram denominar hebreus. Dos filhos de Abraão, o Patriarca do patriarcas, dois deram origem a duas grandes religiões monoteístas: Isaac inspirou a religião judaica, enquanto da descendência de Ismael ou Ismail nascerá os Islamismo. Os filhos de Yahvé e de Alá são, portanto, irmãos.
Jacó, filho de Isaac, recebeu a bênção do seu pai em lugar do seu irmão Esaú. tornando-lhe líder do seu povo. E Jacó, renominado de Israel, teve doze filhos: Rubens, Simão, Levi, Judá, Isacar, Zabulão, José, Benjamim, Dan, Neftali, Gad e Aser. Israel ordenou que eles partissem para o Egito, porque assim Deus havia ordenado. E no Egito, as doze tribos, descendentes dos doze filhos de Israel, sofreram a escravidão durante vários séculos.
Moisés livrou os israelitas da escravidão no Egito e recebeu de Deus, segundo a tradição, os Dez Mandamentos, que das 613 leis da Torá, ocupam um lugar central. A Torá, que teria sido transmitida a Moisés no Monte Sinai, foi fixada no Pentateuco, quer dizer, nos cinco livros da Bíblia, a saber: o Gênesis, o Êxodo, o Levítico, os Números e o Deuteronômio. De tal forma os judeus baseiam suas vidas na Bíblia que já foram descritos como o povo do Livro.
Consta que Moisés desapareceu no Monte Sinai, mas não antes de abençoar Josué que se tornou o novo guia do povo hebreu. Josué voltou a Canaã, e repartiu a Terra Prometida entre as doze tribos, e a chamou de Israel.
Muito tempo se passou, e muitas invasões e privações sofreram os hebreus. Urgia então unificar as doze tribos em um só reino, para que se fortalecessem diante do inimigo. Isto feito, e por volta de 1030 antes da era cristã, Saul se tornou o primeiro rei de Israel. Mas foi sob o reinado de Davi, seu filho, que Israel conheceu todo o esplendor. E foi o rei Davi que construiu a cidade que se tornou a capital de seu reino, Yerushalaim, que quer dizer A paz aparecerá. Salomão sucedeu a seu pai Davi. Ele fez construir o templo em Jerusalém que foi destruído em 586 por Nabucodonosor, mais tarde reconstruído, e novamente destruído pelos romanos no ano 70 da era cristã. Do templo que guardava a Arca da Aliança resta hoje o Muro das Lamentações em Jerusalém.
Depois de Salomão o reino se enfraqueceu, dividido em dois reinos pequenos e fracos: Israel e Judéia. Os judeus foram então novamente atacados e subjugados por outros povos. Na verdade, os judeus vêm sofrendo perseguições por quase dois milênios, e se não fossem o povo do Livro, já teriam desaparecido. Eles foram sempre o outro, nos países em que viveram, e os deicidas que crucificaram Jesus para os cristãos. Como disse Avihai Shivtiel: Todas as perseguições cometidas pela Inquisição, os pogroms (massacres organizados de judeus) na Europa Oriental, os libelos de sangue e até mesmo o holocausto, em nosso século, estiveram, de alguma maneira, ligados à longa inimizade entre judeus e cristãos.
Evidentemente, que esta trajetória, minimamente aqui descrita, é que faz entender melhor porque Theodor Herzl, idealizou o moderno Estado de Israel, criado em 1948. Ou porque afirmou o rabino Henri I. Sobel: Tendo ocorrido tão pouco tempo depois do holocausto, a criação do Estado de Israel retirou o lamento da vida judaica. Possibilitou aos judeus do mundo inteiro se agrupar em torno de uma bandeira e não de um túmulo. Deu aos judeus em toda a parte uma razão para sentirem como o sentiam nossos antepassados, por outros motivos - que ser judeu é gratificante. Por causa de Israel, os judeus redescobriram o amor-próprio, o sentimento de dignidade pessoal. Apesar de todas as dificuldades. Parabéns, Israel.


