Fernando José Dias da Silva
O neoliberalismo está morto. A social-democracia moribunda. E a terceira via já não está se sentindo muito bem. O neoliberalismo está morto e enterrado. Prova disso é que nem Jorge Soros, o maior especulador globalizado, acredita mais que ‘‘a mão invisível do mercado’’ possa regular os faniquitos do capital doidivanas, desmesurado nos seus sonhos apoteóticos.
A social-democracia está em estado terminal porque se perdeu no mundo, embriagada pela fama. Sucumbiu às armadilhas perigosas do sucesso dos últimos tempos. E a terceira via já apresenta sinais irregulares de temperatura e pressão porque, na verdade, ninguém entende bem o que ela seja. Alguns até evitam usar seu nome.
Talvez a reunião de Florença traga alguma luz para a discussão. Um novo alento para a combalida terceira via que, desconfia-se, nasceu com sinais preocupantes de senilidade precoce. Mas uma coisa é certa – ninguém sabe bem o que ela é. Para Tony Blair, a terceira via é uma coisa, para Lionel Jospin é outra, para Gerhard Schroeder outra ainda.
O documento do encontro florentino não poderia deixar de ser bonito, como todo o documento diplomático escrito com antecedência para essas ocasiões. O problema é que não existe um conjunto de idéias, um conjunto de teorias que sistematizem a terceira via. O texto foi lançado pelo ‘‘guru’’ econômico de Tony Blair, Anthony Giddens. E mais ou menos prega uma salada mista, senão uma maionese, entre o liberalismo e a social democracia. Liberdade política, justiça social e segurança econômica junto com doses amazônicas de desregulamentação financeira.
Tudo foi festa até a hora que começaram a surgir propostas de cortes profundos no sistema de bem-estar. Os europeus não estão acostumados a esses trancos. O resultado é que esses neomodernos perderam muitas cadeiras no Parlamento Europeu. eleições que aconteceram há pouco mais de um mês e que revelaram uma abstenção inusitada.
Interessante é saber o que estavam fazendo na festinha de Florença Bill Clinton e Fernando Henrique. Não é possível imaginar Clinton com idéias de esquerda. Com Fernando Henrique é diferente. FHC poderia ser chamado de anfíbio – designação que também se dava aos militares de múltiplas funções na época da revolução.
Não existe encontro internacional em que o nosso presidente não pregue a criação de algum tipo de barreira para evitar a promiscuidade financeira do capital sem passaporte e sem pátria. Ao mesmo tempo mantém uma aliança duradoura com o setor conservador mais atrasado do País. Pode até ser por causa de intrigas e ciúmes, mas o fato é que o PSDB, o partido de Fernando Henrique, foi desaconselhado a tentar sua filiação na Internacional Socialista, porque segundo o seu ex-presidente Pierre Mauroy faz um governo de direita e a esquerda está na oposição.
Ninguém pode duvidar das boas intenções de FHC. Mas ele não precisava ir dormir com essa. Teve um tempo em que Fernando Henrique era comparado ao cantor Nelson Ned. Não tinha muito público aqui dentro, mas fazia um sucessão lá fora. Agora com essa história da Internacional Socialista fica mais difícil.
Mesmo assim Fernando Henrique esteve com o pessoal do andar de cima. Mais adiante poderá mostrar as fotografias para os netos. E ele gosta.

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