A Telepar e os desafios de FHC
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de junho de 1997
Álvaro Dias 
Aceitei o convite do presidente Fernando Henrique Cardoso para assumir a Telepar com um desafio e um convite à aventura. Pela primeira vez ocupo uma função por nomeação. Ao longo de toda a minha vida política, ocupei todos os cargos - de vereador a governador do Estado - sempre através da legitimação do voto popular. Mas a confiança que tenho no rumo que o presidente vem imprimindo ao país e a vontade de contribuir com a minha parcela de colaboração foram elementos decisivos para que eu aceitasse participar da equipe de FHC.
Como empresa do sistema Telebrás, vinculada ao Ministério das Comunicações, a Telepar deve se inserir no gigantesco esforço para que o Brasil pise firme no futuro e lance as bases de sua integração no cenário mundial do século XXI. Este é o grande desafio que aceitamos e que promete um caminho de muito trabalho e esforço. Não é possível pensar o sucesso do projeto de reformar o Estado brasileiro sem que se invista pesadamente nas comunicações. Num mundo globalizado, a informação é vital. Da mesma forma como as estradas foram determinantes para que, ao final do mundo feudal, o comércio pudesse se desenvolver e criar as novas formas produtivas que ensejariam o surgimento do Mundo Moderno, hoje são as novas estradas da comunicação, as infovias, os satélites, as redes, que permitem a visualização de uma nova etapa na construção da história.
O presidente da República tem dedicado grande atenção a esse tema. Não se trata apenas dos processos de privatização, ainda que este seja um passo importante para o desenvolvimento das comunicações no país. No entanto, ao lado das privatizações e da maior abertura aos mercados internacionais, o governo federal está efetivamente investindo recursos. Tomemos o caso da Telepar. Até o ano 2000, os investimentos alcançam cerca de R$ 3,1 bilhões. Só neste ano, mais de R$ 470 milhões estão garantidos. São investimentos concretos, obras reais, que ampliarão extraordinariamente a capacidade competitiva do Estado, além, é claro, de criar, direta e indiretamente, milhares de empregos. Não se trata, portanto, de simplesmente falar em modernidade e criar projetos e mais projetos na prancheta, sem jamais concretizar obra alguma. Não apenas no campo das telecomunicações, mas em muitos outros, o governo Fernando Henrique está investindo, apesar das dificuldades.
A reforma do Estado não é, na perspectiva do presidente, simplesmente um enxugamento. Não se trata de fazer valer a teoria do Estado mínimo, tão ao gosto dos neoliberais. Trata-se, sim, de romper a tradição de um passado colonial e patrimonialista, que foi construindo um Estado onipresente e, por paradoxal que pareça, ausente. Onipresente quando se trata de regular, fiscalizar, burocratizar, impor seu peso, enfim. Mas completamente ausente quando se trata de manter aqueles mecanismos de justiça social, distribuição de renda e assistência aos mais despossuídos. É essa inversão de valores que se pretende corrigir. Um Estado menor, mais enxuto, menos burocratizado, mais ágil e, ao mesmo tempo, um Estado atuante naquelas questões que são fundamentais, como educação, saúde, habitação, segurança, justiça social. Não mais um Estado para os ricos, pois estes é que não precisam de Estado, mas para os que dele efetivamente necessitam - os fracos e despossuidos.
A Telepar, acompanhando o esforço do presidente Fernando Henrique, está investindo num Brasil mais moderno, competitivo e integrado. Mas não se esquece de que o principal valor é o da justiça. Os investimentos feitos têm um profundo caráter social, não apenas porque possibilitam acesso mais efetivo e barato às comunicações, mas também porque dinamizam a circulação de riquezas, gerando empregos para milhares de paranaenses. Presidi-la é um desafio a mais para nossa vida política, mas é também uma grande aventura: a de poder participar da empolgante tarefa de construção de um Brasil mais dinâmico, respeitado e justo. Um Brasil que tem rumo.


