A tarifa e o controle social
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segunda-feira, 16 de junho de 2003
Elza Correia 
Londrina tem assistido nas últimas semanas à retomada de fôlego do movimento estudantil na luta por legítimos direitos sociais. Com a redemocratização do País, alcançada há menos de duas décadas, percebe-se que um dos desafios que se impõem à sociedade refere-se à capacidade de mobilização e fiscalização sistemática dos temas de interesse público. Ainda que de forma embrionária, a reivindicação agora é por um controle rígido das administrações pela população.
Desde o dia 1º de junho, a cidade assiste, atônita, ao anúncio do aumento da tarifa de transporte coletivo de R$ 1,35 para R$ 1,60. Não fosse a insatisfação dos estudantes londrinenses demonstrada com protestos, a reclamação da população infelizmente seria apenas silenciosa e logo a aceitação do aumento seria fato. Neste caso, a luta dos estudantes, assim como no episódio de privatização da Copel, não é apenas em benefício próprio. É em defesa dos trabalhadores, dos pais de família e da população em geral que, sentindo a queda nos índices de qualidade de vida na cidade e no País, frente ao desemprego e ao agravamento social, vêem o aumento da tarifa como mais uma gota d'água em um copo que transbordou há tempos.
Se há um fator positivo nas manifestações estudantis sobre a discussão do aumento do transporte coletivo, este é, exatamente, a 'sacudida' em torno da questão. Diante da pressão impositiva do poder municipal e pela dificuldade técnica da população em entender planilhas e cálculos tarifários, a decisão do aumento seria ponto pacífico e silencioso e não o foi graças à intervenção estudantil.
Acresce-se ao quadro a reação imediata do promotor Miguel Sogayar, da Promotoria de Defesa dos Direitos do Consumidor, que lançou a primeira luz sobre o tema ao questionar na Justiça a legalidade do aumento.
Com a participação dos estudantes, a Câmara de Vereadores realizou uma audiência pública e o debate veio à tona, saindo dos frios dados numéricos das planilhas e indo aos terminais de passageiros. Da parte da ação estudantil, que é o 'combustível' mais caloroso necessário à discussão, espera-se a manutenção da ordem e do respeito durante as manifestações. Um ambiente democrático não aceita interferências que soem prejudiciais à coletividade como já é o próprio aumento. Até mesmo representantes das empresas de transporte admitem em público que o preço alto prejudica a população dependente do transporte coletivo. Está explícito e claro.
Resta a explicação definitiva sobre se os cálculos que levam aos aumentos se justificam com a devida correção técnica e se não há irregularidades na atuação da CMTU. E nessa tarefa também os estudantes devem se ater, transmitindo às ruas com responsabilidade a realidade de um fato que todos sentem com evidente indignação.
ELZA CORREIA é deputada estadual pelo PMDB


