A sustentabilidade do planeta
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de abril de 2003
John Mein 
Num ambiente de guerra, sem dúvida é difícil pensar para além do momento atual da humanidade. Entretanto, as ameaças à sustentabilidade de nosso planeta não são apenas as armas de destruição. O esgotamento da água potável, a destruição de florestas e o aquecimento acelerado são algumas das questões que exigem mudanças globais imediatas, para se evitar consequências trágicas e irreversíveis em poucas décadas. A desigualdade social é alarmante: os 20% mais ricos da população mundial detêm 86% da renda. No Brasil, quase 50 milhões de pessoas vivem abaixo da linha de pobreza.
Esse cenário faz aumentar a percepção de que as mudanças são necessárias e urgentes. E as empresas são agentes sociais poderosos, que podem contribuir decisivamente para a criação de novos paradigmas que promovam o desenvolvimento sustentável. Essa nova postura está ligada à capacidade de as empresas responderem pelo impacto de suas ações sobre o meio ambiente e a sociedade.
No Brasil, onde o movimento de responsabilidade social empresarial se consolida cada vez mais, passos importantes já foram dados no sentido de colocar em prática inúmeras reflexões que vêm ocorrendo sobre esse tema nos últimos anos. Em fevereiro de 2003, foi lançada a versão brasileira do estudo ''Criando Valor O business case para sustentabilidade em mercados emergentes'', realizado pelo International Finance Corporation (IFC), órgão do Banco Mundial, e pela consultoria internacional SustainAbility, tendo o Instituto Ethos como parceiro no Brasil.
Essa pesquisa abrange 60 países e 240 experiências de empresas (19 delas brasileiras), e sistematiza as múltiplas oportunidades que estão ao alcance das organizações que consideram impactos sociais e ambientais em seus negócios. Demonstra ainda que, ao desenvolverem ações e estratégias de sustentabilidade, elas obtêm resultados muito positivos em termos de produtividade e competitividade.
O caminho da responsabilidade social empresarial e do desenvolvimento sustentável aponta para um cenário no qual os resultados e benefícios obtidos são compartilhados pelas próprias empresas, pelo conjunto de parceiros envolvidos em seus negócios, pelas comunidades onde atuam e pela sociedade.
Acreditamos que ao adotar essa visão, os empresários brasileiros vão saber reconhecer o valor dessa nova postura e poderão se realizar plenamente, não apenas como empreendedores, mas também como cidadãos.
JOHN MEIN é diretor-executivo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social.


