Para melhorar as condições dos aeroportos brasileiros serão necessários R$ 7 bilhões até o final deste Governo, e este é dinheiro que não existe em sua totalidade, segundo a posição oficial, prevendo-se apenas metade disto. Significando que o problema hoje vivido pelos terminais aeroviários só terá, também, solução pela metade, e isto se houver empenho governamental. Não é só a questão de baixos salários dos controladores de tráfego mas também o sucateamento da infra-estrutura instalada.
  E não apenas os aeroportos, mas tudo o que se liga aos transportes no Brasil. Porque também não existem ferrovias modernas e isto favorece descarrilamentos constantes, em função das precárias condições infra-estruturais; os portos estão longe da eficiência, embora algumas modernidades pontuais; e sobre as rodovias nem se fala, porque elas inexistem em muitas rotas necessárias, não são duplicadas em sua maioria e estão em precário estado de conservação, quando não intransitáveis. O transporte aéreo, que corre por caminhos limpos - e este ao menos deveria funcionar bem - defronta-se com problemas técnico-operacionais.
  A crise do sistema manifestou-se mais acentuadamente cinco meses atrás, com a ocorrência do fatídico desastre com o avião da Gol e no qual morreram 154 pessoas. Revelou-se aí a fragilidade do sistema. As empresas aéreas têm crescido economicamente e vêm adquirindo aeronaves cada vez maiores - para acima de 200 passageiros - mas os aeroportos brasileiros (luxuosos em suas instalações para o usuário) foram construídos tecnicamente com base em aviões de apenas 120 lugares. Mais vôos e mais passageiros representam também mais problemas; embora também mais receita para a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária, a Infraero.
  Alguns aeroportos são verdadeiros aero-shoppings, em detrimento da infra-estrutura técnica relacionada com as operações de tráfego, aí incluídas as curtas e malcuidadas pistas de decolagem e pouso. E atente-se que vêm aí novas exigências técnicas da Organização Internacional de Aviação Civil, porque o sistema de navegação aérea em todo o mundo passará a ser operado via satélite. É oportuno rememorar que o mais movimentado aeroporto do Brasil (o de Guarulhos-SP) tem apenas dois sistemas de vôos por instrumento e um deles está com defeito. Outros sete aeroportos de grande ou médio tráfegos no País não têm esse equipamento.
  Quanto às pistas, além de curtas têm perigosas ondulações. No caso paranaense, o aeroporto de São José dos Pinhais já está próximo do limite operacional, embora sua reforma recente; e o segundo em importância, o de Londrina, não tem o ILS - Instrument Landing System -, porque o município retarda a desapropriação necessária de áreas próximas da pista. E esta, necessita de alongamento de mais 300 metros, porque a negligência da fiscalização permitiu a construção de edifícios altos na rota de pouso e decolagem. Some-se a isso imperícias de pilotos - caso do choque de dois aviões no acidente da Gol - e se terá o painel por inteiro revelando a realidade atual da aeronáutica civil.

mockup