Moacir Costa, médico psicoterapeuta londrinense e especialista em comportamento sexual ora clinicando em São Paulo afinal se ocupa de falar do sexo tântrico. Foi em seu artigo semanal do último domingo, neste espaço. Nuturalmente que o destacado sexólogo com quem privo de amizade domina esse conhecimento, mas certamente para não ferir princípios da medicina convencional, falou apenas do prazer que o sexo tântrico proporciona, sem abordar outra parte fundamental desse fantástico exercício: a poderosa força que reside nele e que pode ser canalizada para elevação espiritual, ou para fins de cura, de eliminação de conflitos e muitos outros.
Tantra, do sânscrito, tem a ver com a magia dos ritos do hinduísmo. No que respeita ao sexo, sublima-o, para transformá-lo em mais que prazer, mas acima de tudo num estado de prece e plenitude espiritual. É o sexo transmutando-se para um elevado grau de transcendência. A excitação fica realmente muito intensa, mas o orgasmo é deliberadamente contido, como força de retenção, que se acumula qual comporta que vai represando a água. Reside aí a força. A energia ígnea a do fogo, que emana do chacra básico entra em movimento, e se devidamente direcionada para uma causa, produz resultados surpreendentes.
Se o casal opera unido no mesmo objetivo, essa força duplica-se. Liberar o orgasmo seria uma perda de energia o rompimento da represa. Não é um mal que tal ocorra, mas um desperdício de carga. Que não faz parte do sexo tântrico e sim do sexo comumente praticado. Não é algo que se aprende na primeira vez, mas que exige exercício e um convicto propósito. É como alguém que resolva dedicar-se a um aperfeiçoamento espiritual, o que só obterá pela repetição de práticas e por muita vontade.
Não é preciso requintar o ambiente nem valer-se de artificialismos, mas se isto for da vontade, mal não faz. Importa é o estado mental dos parceiros, sucedendo-se às vezes embora realizando-se a conjunção carnal que apenas
um deles resolva praticar o sexo tântrico, sem que o outro tome conhecimento disso. É uma intenção individual, mas que se torna obviamente mais fecunda quando em comum com o par. O mais importante, sem desprezo do prazer, é o nível de plenitude que se atinge até porque uma relação pode ser estendida por horas e o benefício que a energia canalizada pode proporcionar, se destinada a um fim específico.
O sexo tântrico é uma prática salutar, independente de estar envolvida ou não numa ligação de compromisso entre os parceiros. Pode ser praticado por quem, mútua e consentidamente, o desejar. É algo que transcende o nível do corpo físico e transforma-se num exercício de sublime elevação espiritual.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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