A alternância de poder é a principal característica do sistema democrático. Somente países politicamente imaturos temem a subida da esquerda ao posto de comando. Com certeza este não é o caso do Brasil. Passamos por longo período de ditadura e, depois, de transição. O empate de Lula com Fernando Henrique Cardoso nas últimas pesquisas de opinião comprovam que o povo brasileiro está preparado para escolher um governo mais participativo, com projeto político de caráter fortemente social e formulado em conjunto com os movimentos populares.
A imagem de uma esquerda ortodoxa, formada por ‘‘comedores de criancinhas’’, já não faz parte do imaginário popular. Por mais que se tente, ainda hoje, vender essa imagem, dizendo que as bolsas vão cair se Lula vencer, que o capital estrangeiro vai fugir, que o grande empresariado nacional irá embora, que o MST irá invadir propriedades produtivas, já existe a consciência de que o PT é um partido responsável. Um partido que sabe articular com outras forças políticas, inclusive as antagônicas, e que tem um projeto de governo claro, voltado principalmente para a democratização da economia e desenvolvimento das políticas sociais.
Lula, como presidente, estará mais preocupado em transformar o capital especulativo em produtivo. Ou seja, em transformar o dinheiro que entra no Brasil em emprego. Obviamente, existe a determinação de se manter a estabilidade econômica, mas de maneira menos perniciosa, com juros mais baixos e renda melhor distribuída. A maior crítica que o PT e Lula fazem à política econômica adotada por Fernando Henrique refere-se aos seus efeitos nocivos no campo social. Muito voltada para o mercado externo e ancorada ao dólar, nossa economia não tem revertido benefícios para os setores menos organizados e mais pobres da população. Em consequência, o fosso que separa os ricos e pobres aumenta de profundidade.
Ao contrário do que pregam os governistas e marketeiros da campanha de Fernando Henrique, a comunidade econômica não se arrepia frente à possibilidade, agora real, de Lula chegar à presidência. Com tais declarações, eles tentam desacelerar o crescimento petista e reconquistar votos para FHC. Isso faz parte do jogo pela disputa do poder.
Na realidade são muitos os empresário que têm declarado confiar no amadurecimento tanto do PT quanto da democracia brasileira. Isso porque o Brasil é um país consolidado, cujo sistema democrático está acima de nomes ou partidos. Somos uma Nação formada por cidadãos cada vez mais conscientes de seus direitos e deveres. Estamos inseridos em um contexto globalizado, onde as disputas internas se dão muito mais em torno das prioridades do que da mudança de sistema.
Este ano Lula estará disputando a presidência pela terceira vez. As mudanças ocorridas no país foram assimiladas pelo partido, que desta vez se apresenta com amplas alianças partidárias. O PT possui hoje sete mil vereadores, mil prefeitos e cerca de trezentos deputados estaduais e federais. Isso demonstra que o povo confia em nossa legenda. Além disso, estamos acompanhados, nesse pleito, por nomes de peso, como o de Leonel Brizola. Tudo isso nos faz crer que o empate auferido na última pesquisa, quando Lula alcançou 30% das intenções de voto, contra 31% de FHC, não é um fenômeno sazonal, como tentam fazer crer os analistas do governo. É um crescimento para valer, que poderá desembocar na vitória de Lula e inaugurar uma nova fase de desenvolvimento social e econômico para o país.
Este é um quadro tão real que o governo está se mexendo para tentar revertê-lo. Umas de suas táticas é espalhar boatos. Os últimos relacionavam a queda das bolsas ao crescimento de Lula. Nada mais falacioso, visto que esses sustos são cada vez mais comuns na economia globalizada. No ano passado houve quebradeira na Ásia e ninguém a relacionou com os problemas mal resolvidos do governo Fernando Henrique. Inverdades desse tipo contribuem apenas para desviar a atenção de fatos que comprovam o descaso do governo com as questões sociais, como a seca no Nordeste, os altos índices de violência e o desemprego.

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