Verdade que a política recessiva e de juros altos do governo é um entrave para o crescimento do país, mas temos que aprender a driblar também este problema, incorporando-o aos tantos que fustigam a vida econômico/social brasileira. Mas não podemos nos entregar ao desânimo, porque isto será contribuir para o aumento da onda de negativismo, e dessa forma o que não vai bem ficará pior porque os males realimentam-se de si mesmos. Não nos iludamos: o Brasil não será feito pelos governos mas pelos brasileiros. Se não pudermos fazê-lo tendo o governo como aliado vamos fazê-lo apesar dele. Somos todos inquilinos neste grande condomínio e temos, cada um, nossa parcela de responsabilidade. Não podemos ficar em atitude contemplativa esperando que algum milagre aconteça. A nação somos nós. Temos sido mais parte dos problemas que das soluções, e é hora de rever essa postura.
O empresário é, no mais das vezes, o responsável pelo pouco rendimento da empresa, porque desperdiça muito, não investe nela, emprega mal o tempo e opera só com a força dos braços, eis que a mente descrê do próprio negócio.
Na maioria dos casos o patrão é injusto com o empregado, e este, com muita frequência, é irresponsável perante a empresa e perante ele próprio, porque pensa pouco em melhorar sua qualificação profissional e a qualidade do que faz. Não ama o serviço e nem a empresa que lhe dá sustento. Não é parceiro do patrão, mas adversário. Está mais de olho nos direitos que nas obrigações e pensa em estribar-se bem, não para subir de categoria mas para garantir a indenização trabalhista.
Juros especulativos embutidos nas compras a prazo (e aí o lojista passa a ser o nosso ‘‘governinho’’) são um abuso tão grave quanto o praticado pelos bancos e pela máquina oficial arrecadadora.
O contribuinte atrasa e sonega o imposto, certo de que o governo irá fazer mau uso do dinheiro que arrecada - e isto no mais das vezes acontece - então tudo se sustenta na desconfiança.
O industrial se preocupa com a qualidade do produto não por respeito ao consumidor mas pelo temor da concorrência. Com tal mentalidade dificilmente seu negócio prosperará, porque tudo se rege por leis de causa e efeito. E essas leis, que não estão nos códigos, são as únicas que, infalivelmente, funcionam.
Problemas e soluções são de responsabilidade de cada um. Não melhoraremos o Brasil se não nos melhorarmos. Se cada um fizer a sua parte bem feita até o governo deixará de ser incompetente e corrompido, porque automaticamente se enquadrará, uma vez que os governantes são produtos de nós mesmos.
Concordamos com tudo o que o governo nos impõe, até por preguiça e comodismo, e então o governo acaba concluindo que está sempre certo em suas medidas. Governos são fortes e prepotentes em nações subdesenvolvidas. Mas grandes governos são os que operam a serviço do sistema privado, exercendo apenas o papel de preservar as instituições e cuidar dos chamados serviços essenciais, e só isto basta para garantir o ritmo ordenado dos segmentos produtivos.
Temos que aprender a não depender do governo e nos ocupar com idéias e não com lamentações. Brasileiro adora falar de crise. Porque assim justifica suas próprias imperfeições e más-vontades. Culpar a ‘‘crise’’ é mais cômodo que refletir sobre os próprios erros. Se admitimos a crise ela se implanta e se fortalece. São as determinações da mente e dos sentimentos que comandam todos os fenômenos da vida.
A riqueza reside naquilo em que acreditamos. A vida nos dá o que esperamos dela e será o que determinarmos que seja. Se somos pobres é porque temos cultivado uma mente pobre. O que aceitamos se estabelece, e se for a admissão da pobreza ela se solidifica e cria fungos. Se decidimos ficar pelas esquinas nos lamuriando que tudo vai mal, já sabemos o resultado disto: no dia seguinte amanhecemos mais pobres. Negar e descrer dá mais trabalho que acreditar.
Se nos mudamos até o governo muda.
Existem pessoas que ganham dinheiro sem o menor esforço. Por que isto acontece? Com certeza não será por sorte mas porque elas acreditam. Um dia ouvi de alguém que o vencedor sempre tem um projeto; o perdedor sempre tem uma justificativa; o vencedor diz ‘‘é possível’’; o perdedor diz ‘‘é difícil’’. Pessoas ricas são pessoas que sempre se auto-estimaram e julgaram-se competentes. Já há aquelas que se arrebentam de tanto trabalhar e são sempre pobres e infelizes, porque vivem amaldiçoando o seu negócio, o emprego, o salário, a vida. Delas e dos outros. Se comprazem do insucesso alheio, até para justificar o próprio. Assim atraem tudo o que é ruim.
Não podemos ter inveja das pessoas ricas nem achar que elas são as responsáveis pela nossa pobreza, porque com tal sentimento não atrairemos a riqueza. Se odiamos a riqueza nos outros ela se afastará de nós.
Sermos ricos ou pobres é uma questão de opção.
- WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina

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