A solidariedade nas manchetes
Num país abalado por corrupção, desvios e julgamentos de crimes políticos, uma corrente silenciosa faz um trabalho de formiguinha para preencher lacunas que ferem de morte o tecido social. Desde a semana passada, motivadas também pelo Dia das Mães, várias reportagens na FOLHA alinharam iniciativas que mostram a organização da sociedade civil em ações espontâneas que não dependem de governos e verbas públicas. No último domingo, o exemplo de Joseleide Baptistella, que criou uma biblioteca comunitária no Residencial Bela Vista, na zona norte de Londrina, brilhou como uma estrela de esperança, apesar do escuro. Há cerca de um ano, observando a situação do bairro marcado pela violência, ela organizou em sua própria casa, de 36 metros quadrados, um espaço que hoje recebe 212 meninas e meninos em dois períodos. Além de oferecer acervo de 6 mil livros, o projeto já conta com aulas de inglês, canto, dança, artesanato e inclusão digital. Tudo para preparar melhor as crianças através da educação. Do mesmo modo, no último domingo, por iniciativa dos jovens da Igreja Adventista do Sétimo Dia, foi servido na Concha Acústica um almoço para pessoas em situação de rua para celebrar o Dia das Mães, tendo em vista que essas pessoas não têm família. Ainda existem na cidade espaços que acolhem pessoas sem moradia como o projeto Pão da Vida, Casa do Bom Samaritano e o SOS (Serviços de Obras Sociais), entidades filantrópicas que atendem pessoas privadas de moradia e alimento. Também chamam a atenção iniciativas como a "Quero na Escola", plataforma digital, criada por jornalistas, na qual alunos de escolas públicas podem cadastrar seus desejos aulas de fotografia, dança ou pintura que são oferecidas por profissionais voluntários como forma de completar as atividades escolares. Exemplos como esses, que colocam a sociedade civil como protagonista na costura de um tecido social esgarçado, demonstram que nem tudo está perdido e que é possível exercer o bem a ser noticiado como um pequeno raio de sol que transforma as manchetes em espelhos da esperança. Ações solidárias tornam visível o humanismo que sobrevive, apesar de tudo.





