Irresponsabilidades do poder público à parte - porque muitas tragédias poderiam ser evitadas se houvesse prevenção - em momentos de dificuldade é que se constata a solidariedade dos brasileiros, como ocorre agora com a ajuda aos catarinenses flagelados. Essa manifestação espontânea da população civil faz com que os governantes também se mobilizem e tomem medidas emergenciais. Aquilo que não é feito antes acaba saindo mais caro depois, e assim é com tantas outras coisas, fazendo que se rememore a fórmula sábia de que é melhor prevenir do que remediar.
Mas é do movimento de fraternidade humana que se fala, para ressaltar que os brasileiros, se no geral enfrentam suas próprias dificuldades, imediatamente se prontificam e saem em auxílio dos co-irmãos em ocasiões de tragédias coletivas e mesmo em casos isolados. O que se revela é essa voluntariedade rápida e incondicional e que parte de gente de todas as classes econômicas.
As imagens mostradas são comoventes - a da situação das famílias tangidas e a da ajuda das pessoas. A triste estatística é de mais de 100 mortos, duas dezenas de desaparecidos, o desabrigo de quase 80 mil pessoas e milhares de outras indiretamente atingidas, mais de 30 mil imóveis sem energia elétrica e água potável, infra-estruturas públicas e privadas grandemente danificadas (destacadamente o porto de Itajaí). Tudo isto, com um prejuízo material a princípio estimado em R$ 370 milhões, forma o dramático quadro da catástrofe no vizinho Estado. Com maior ou menor intensidade, o problema das chuvas, dos deslizamentos e das enchentes aconteceram de sul a norte, desde Araranguá (município próximo da divisa com o Rio Grande do Sul) até Itajaí, no norte (a região mais atingida). A bela Santa Catarina, como diz a propaganda turística, vive momento de luto e dor e de desalento para tanta gente. Muitos perderam a moradia, que era o único bem, e o processo de reconstrução não é fácil, pela falta de recursos individuais.
O Estado terá de empenhar-se para reimplantar as casas, e em tempo rápido, e impedir o uso das áreas perigosas - um mal de muitas populações brasileiras e mundiais que, por falta de meios, constroem em terrenos de custo baixo ou que vão sendo tomados por simples ocupação - o que não é o caso de Santa Catarina. Voluntários das regiões sul e sudeste do Brasil especialmente, mas inclusive de estados mais distantes, estão unidos nesta campanha solidária, e este fato precisa ser reverenciado como tributo a uma característica marcante dos brasileiros.

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