A sete meses das eleições, entidades civis já se mobilizam para o pleito. A maior parte delas quer aproveitar o período de campanha, entre agosto e setembro, para cobrar compromissos dos candidatos. Há também quem vá trabalhar por uma eleição limpa.

A informação acima, que consta da reportagem de Rosiane Correia de Freitas (pág.4) é um alento. Também um alívio. Se há setores mobilizando-se para cobrar compromisso é bom sinal. Pelo menos indica que a sociedade não se deixou abater pela impunidade. O descaramento dos políticos, o abuso do poder, a mediocridade dos governantes...tudo isso poderia provocar um desânimo total. Vemos que não, felizmente.

No interior - diante de um quadro desses, de degradação moral - diz-se que as pessoas estão desacorçoadas, à margem, sem ânimo para reagir. Mas é nesses momentos, de tantas modalidades de falcatruas, que as pessoas têm que se manifestar. Afinal, quem garante que não pode ficar pior?

Além disso, o povo precisa exercer o papel que seria da Justiça, aparentemente comprometida e, segundo pesquisa recente, com pouca credibilidade. Se bem observarmos, percebe-se que algo sinaliza para a mudança. As bandas boas das instituições já mostram suas caras.

No caso da ''cobrança de compromissos'' ou do esforço para obter o comprometimento dos candidas com reivindicações desse ou daquele segmento, é bom que se diga que tais segmentos estão cuidando do seu interesse imediato. Não tem importância: chegará o momento em que a convergência desses interesses se tornará represtativa dos anseios da sociedade. É quando passam a ter um olhar para a floresta e não para algumas árvores.

Quanto aos que se propõem a ''trabalhar por uma eleição limpa'', não faltam motivos para dificultar sua tarefa. Ainda ontem os jornais publicaram a seguinte denúncia: ''PT usou caixa 2 para pagar dívida de evento''. Não importa o evento; importa que o PT usou de caixa 2, prática proibida. A denúncia vem de uma revista. Por que não vem da Justiça eleitoral? A Justiça nada sabia?

mockup