A sociedade e o desenvolvimento
No dia 31 de outubro todos os prefeitos estarão eleitos. Nas urnas, o eleitor depositou não apenas seu voto, mas também o desejo de uma cidade melhor. Para alguns, o prefeito poderá ser o herói que transformará a vida dos cidadãos. Uma visão equivocada, é claro.
A discussão sobre desenvolvimento econômico-social está presente na vida das pessoas. Em épocas eleitorais, mais ainda. Mas, em muitos casos, é uma discussão vazia, sem profundidade e sem maturidade. Não raro, o foco é posto no lugar errado, como quando se acredita que a solução depende da escolha correta dos representantes políticos. Isso faz parte, mas não é nem de longe o mais importante. Uma sociedade madura não enxerga o prefeito, ou qualquer outro político, como aquele que definirá o destino da cidade. Uma sociedade madura planeja seu futuro seja para os próximos 10, 20 ou 40 anos, enxergando no político eleito um gestor do planejamento.
Vitória-Gasteiz, cidade espanhola localizada no País Basco, tem 250 mil habitantes. Em 2012 ,foi eleita a Capital Verde da Europa. Para chegar a esse ponto, passou por muitas transformações Quando a visitamos, em missão empresarial pela Faciap, em 2014, perguntamos ao prefeito Xavier Maroto, como foi o processo para que a cidade recebesse aquele título. Ele respondeu que fazia poucos anos que a sociedade decidira planejar a cidade para dar mais valor às pessoas do que aos veículos. "Quanto tempo?", perguntamos. "Apenas 20 anos", disse ele.
A surpresa não foi eles terem um planejamento de 20 anos, mas que, enquanto para nós, brasileiros, sem cultura de longo prazo, 20 anos é uma eternidade, para eles, é um "flash" de tempo. Logo passa. E o mais importante: não foi o prefeito quem decidiu o que fazer, mas sim a sociedade.
As pessoas devem decidir como querem sua cidade amanhã. Para tanto, precisam se organizar, se estruturar, e ter uma cultura de liderança pelo bem coletivo, atuando pelo desenvolvimento de seus territórios no horizonte de tempo maior do que a de um ou dois mandatos. Uma visão associativista, que coloca o futuro de todos acima de tudo.
No Paraná, há regiões com ótimos resultados na implantação dessa visão em que a sociedade é a indutora do desenvolvimento territorial de longo prazo. Dois exemplos. O Conselho de Desenvolvimento de Maringá, que fomenta o desenvolvimento da Região Metropolitana de Maringá, fundado em 1996; e o Programa de Desenvolvimento do Território Oeste do Paraná, fundado em 2012, e que tem como objetivo final que o desenvolvimento não se restrinja a poucas cidades apenas. Em comum, aos dois projetos está a participação de líderes associativistas, muitos oriundos das associações comerciais e empresariais e outras organizações não governamentais. Essas regiões já planejam seu futuro. E as outras?
Para conscientizar que a sociedade pode resolver seus próprios problemas com liderança associativista, a Universidade Corporativa Faciap (UniFaciap), com o apoio do Sebrae Paraná, em uma iniciativa inédita no país, concluiu a primeira turma do curso Líderes Associativistas, formando liderança para atuar no desenvolvimento territorial. Os alunos eram presidentes de Associações Comerciais das 12 regionais que compõem a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap), executivos e consultores.
Um dos pontos altos do curso foi o módulo Cultura Associativista, que tratou do Desenvolvimento Territorial. Encerrou com a apresentação de Projetos Aplicativos para melhorar o desenvolvimento das regiões representadas na primeira turma. A cerimônia de formatura acontecerá na Convenção Anual da Faciap que acontece no dia 1 de dezembro, em Foz do Iguaçu. A UniFaciap realizará pelo menos uma turma por ano para ampliar a quantidade de lideranças associativistas no Paraná que trabalhem para que tenhamos uma sociedade cada vez mais dona de seu próprio futuro para, então, escolher gestores públicos. Esse é o futuro que precisamos.
EDSON ARAÚJO FILHO é diretor administrativo da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap)
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