O Brasil é um paraíso para os banqueiros. Faça chuva ou faça sol, com ou sem inflação, o lucro alcançado pela atividade bancária é sempre de causar inveja a qualquer setor de produção público ou privado em nosso país.
Segundo o Dieese, de 1996 a 2000, os três maiores bancos privados Itaú , Bradesco e Unibanco tiveram, juntos, lucro líquido de R$ 14,4 bilhões. Só o Itaú lucrou naquele período R$ 2,15 bilhões e acumulou, nos primeiros meses deste ano, ganhos de R$ 1,47 bilhão. Na sequência está o Bradesco, que ganhou R$ 1,042 bilhão, e o Unibanco, com desempenho fantástico, registrando recorde de crescimento com rentabilidade de 23,67%.
E a excepcional ''fase'' dos bancos continua. Eles deitam e rolam nesta economia, que carrega, de outro lado, uma legião de empresários e trabalhadores espremida por altos compromissos financeiros e baixa remuneração. Enquanto os bancos crescem, a nossa população fica cada vez mais pobre.
Que mágica fazem os banqueiros para tanto sucesso? Qual é essa fabulosa receita, que os outros setores não conseguem copiar? Certamente não será apenas uma questão de competência, mas também de conivência do governo federal, à medida que a política monetária prioriza os bancos em detrimento do consumo, privilegiando tarifas e juros extorsivos. Na crise, as instituições bancárias tiram proveito até da política cambial, preconizando o sobe-e-desce de taxas.
O paternalismo e a benevolência do governo federal propiciam aos bancos a formação de um cartel de agiotagem. Tanto é que despertou o interesse do grande capital internacional na compra de bancos brasileiros.
Reportagem publicada recentemente pela revista Isto É denuncia a receita do lucro fácil. Afirma, com todas as letras, que os bancos estão lucrando alto nos empréstimos e nos juros pagos pelo próprio governo, cobrando caro as tarifas e pagando rendimentos modestos. E conclui, categoricamente, que os bancos que operam no Brasil não querem outra vida, claro.
A revista compara a situação de quem aplicou R$ 100 na poupança em agosto de 1994 e quem devia este mesmo valor no cheque especial. O resultado é assustador: o cliente do primeiro caso teria saldo hoje de R$ 324,20, enquanto o segundo deveria ao banco nada menos do que R$ 160,2 mil. Que país é este, meu Deus? Acorda, FHC!
Estima-se que a geração de empregos pelo setor bancário caiu 60%, por força da globalização e da modernização que privilegia máquinas em detrimento das pessoas. No Brasil, o bancário trabalha 6 horas, jornada que, na prática, não passa de teoria trabalha-se 10 horas ou mais. O horário de atendimento ao público representa uma inversão de valores que transforma todos os demais setores produtivos em reféns dos bancos uma situação de dependência que, aos outros, só acarreta prejuízos.
Em países como a Espanha, matriz do Santander, o banco funciona das 8 às 18 horas, acompanhando o horário de funcionamento do comércio. No Brasil, o governo permite que os bancos operem livremente de acordo com as suas conveniências, instituindo taxas e tarifas livremente, além dos juros extorsivos, que inviabilizam qualquer atividade produtiva.
Os bancos têm o dever de cumprir com seu papel social, norma que, no Brasil, são solenemente ignoradas - e ninguém cobra. A justificativa é a de que a saúde do sistema financeiro precisa ser preservada para não provocar um colapso da economia. Será que o risco Brasil é tão desastroso assim?
O tratamento que os bancos dispensam aos clientes é altamente nocivo para qualquer empreendedor. Basta verificar os critérios para se tomar ou poupar dinheiro: o banqueiro privilegia sempre o seu capital; o do investidor é sempre explorado.
Onde estão os políticos que falam tanto em justiça social, distribuição de renda, erradicação da pobreza e que nada fazem contra este modelo nefasto que, de um lado, privilegia os especuladores e, de outro, empobrece aqueles que investem na produção, geram empregos e pagam impostos? Já que vivemos uma rotina de CPIs, por que esses políticos não investigam a atividade bancária, para que esclareçam à sociedade a fórmula mágica dos seus lucros?
Os setores das pequenas e médias empresas que verdadeiramente precisam de apoio, geram receita e garantem o nível de emprego no País estão marginalizados, esquecidos. As oportunidades só existem no papel: pelo imenso rol de restrições, o acesso ao crédito é quase impossível.
O País não consegue sequer estabelecer a sua própria soberania e obrigar os bancos a cumprir o seu verdadeiro papel social, que é o de fomentar o crescimento e o desenvolvimento da economia nacional, gerando oportunidades para todos e riquezas para uma sociedade mais justa.

ALDEMAR BENVINDO MASCARENHAS é presidente do Sindicato dos Empresários Lotéricos do Paraná e vice-presidente da Federação Nacional da categoria

mockup