A sedução do MST pela política
Os dirigentes do Movimento dos Sem-Terra não tardariam em mostrar seus reais desejos, que não são propriamente assentar quem não tem terra, mas ganhar popularidade e alcançar cargos eletivos. E não para, uma vez no poder, apresentar fórmulas de solucionar o problema dos colonos despossuídos do chão para instalar-se e produzir, mas continuar com os discursos e, assim, assegurar-se nos postos obtidos por via do voto popular. A história está cheia de exemplos do gênero, e o próprio PT que tinha no passado uma característica de movimento de massas revelou-se incompetente no comando da administração pública, como de resto a maioria dos partidos. Nos acampamentos do MST os militantes falam, hoje, mais de política que de assentamento. Na região de Pontal de Paranapanema, oeste do Estado de São Paulo, representantes de acampados e assentados já se lançaram pré-candidatos às Câmaras Municipais de uma dúzia de cidades. O partido em que esperam ser indicados é principalmente o PT, mas surpreende que alguns recorram ao PSDB e, incrivelmente, até ao PFL, o mais direitista e radical dos agrupamentos partidários. E não só em São Paulo, mas também no norte de Minas, considerado um barril de pólvora em decorrência das tensões entre sem-terra e ruralistas, e na Bahia, onde no momento José Rainha faz andança política. Com candidatos próprios ou não, o MST está em campanha, sobretudo apoiando nomes petistas.
Calcula-se que haja no Brasil 200 mil famílias acampadas num total de 1 milhão de pessoas 40% delas sob a bandeira do MST, embora nem todas sejam de camponeses. E não faltam os que já ostentem siglas de um imaginário PMST, a significar um partido político. Fórmula totalmente condenada pelo líder João Pedro Stédile, que sob esse aspecto revela inteligência política, ao defender que o MST deve ficar fora do sistema partidário, consciente de que isso enfraqueceria o movimento e lhe atribuiria responsabilidades. Melhor, naturalmente, é ficar à margem da lei e operar em regime anárquico e marginal, invadindo terras e destruindo propriedades produtivas, aparentemente sem sanções e com permissividade inclusive do Governo federal. No Paraná, ao menos, o governador Roberto Requião considera o MST ''uma bênção'', conforme suas próprias palavras. Certo é que o Governo central exerce um certo controle sobre o MST, porque dá assistência social aos acampados e assim o silencia, mas não se sabe até quando isso perdurará se os financiamentos para a reforma agrária continuarem ocorrendo tão vagarosamente.





