Terminadas as eleições, apurados os votos e proclamados os eleitos, a política continua! Sim, nós da saúde entendemos que política deve e precisa ser feita o tempo todo. Desde 1982 participamos dos processos político-eleitorais no Paraná. Com o nosso trabalho cotidiano, como profissionais e dirigentes dos serviços de saúde, como professores, pesquisadores e estudantes dos cursos técnicos e universitários das 14 carreiras da área de saúde, sentimo-nos corresponsáveis pela melhoria da saúde da população paranaense.

Também nos sentimos corresponsáveis pelas insuficiências dos serviços e pelos problemas de saúde que, apesar dos nossos esforços, perduram em muitas regiões do Estado e comprometem seriamente as condições de saúde de muitos paranaenses.

Nesses 36 anos procuramos sempre contribuir para a superação dos obstáculos ao desenvolvimento do SUS. A despeito das conjunturas políticas que se sucederam nos municípios, nas instituições, no Estado e no País, realizamos nosso trabalho.

Não nos julgamos portadores de verdades sanitárias. Nunca nos comportamos desta forma. Sempre atuamos de forma suprapartidária e com muito esforço continuamos contribuindo para o desenvolvimento da saúde no Estado. Fizemos parte do movimento sanitário nacional, lutando pela redemocratização nas décadas de 1970 e 1980 e construindo as bases da Reforma Sanitária Brasileira desde antes da 8ª Conferência Nacional de Saúde, pela qual seguimos trabalhando.

Essas conquistas, que precisam ser sempre valorizadas, são resultado de políticas e programas estaduais e também de ações e intervenções decisivas dos gestores municipais e das entidades e instituições privadas e do terceiro setor. Precisamos superar os maniqueísmos e reconhecer que as parcerias que envolvem o setor público e o setor privado podem e devem ser feitas de forma transparente, harmônica, integrada, eficiente e comprometida com os melhores resultados para a população. Afinal, a melhoria da saúde das pessoas não é mérito exclusivo deste ou daquele serviço ou profissional.

Com a eleição do novo governador do Estado no Paraná (Carlos Roberto Massa Júnior) e do novo presidente do Brasil (Jair Messias Bolsonaro), se abre um novo ciclo de renovação política e é natural que as forças vivas da sociedade se mobilizem em defesa dos seus projetos. Nós não queremos e não vamos ficar para trás! Durante a realização do 4º Congresso Paranaense de Saúde Pública/Coletiva foram aprovadas, com a assinatura de boa parte dos quase 2 mil participantes, as seguintes propostas:

1 - Conclamar todos à participação política. Não pactuamos com os pensamentos e ações que visam a demonização da política. O fortalecimento da democracia no País e a melhoria do SUS dependem da política e por seu intermédio queremos novas conquistas.

2 - Reiterar compromissos com os princípios da Reforma Sanitária Brasileira e com os valores estabelecidos na Constituição Federal e do Estado do Paraná.

3 - Dizer que a crise do setor saúde nacional e também no Paraná é indisfarçável e precisa ser enfrentada com propostas inovadoras, articulando novos modelos de atenção à saúde com novos modelos de gestão em saúde e novos modelos de formação profissional.

4 - Repudiar mais uma vez a corrupção nos governos, na sociedade e na saúde. O apoio às ações da Justiça, do Ministério Público e dos demais órgãos de controle é um dever de todos.

5 - Transformar em políticas de Estado as políticas de governo na saúde bem sucedidas que vêm melhorando a vida de milhões de paranaenses. Ou seja, não admitimos retrocessos para o clientelismo político na saúde, para a partidarização dos recursos ou para o subfinanciamento da saúde.

Desta forma contribuímos para qualificar o processo de escolha dos candidatos que mereceram nossa confiança, na perspectiva de consolidar as conquistas, fortalecer o diálogo e unir forças para ajudar a avançar a Saúde no Paraná, nos próximos anos de 2019 à 2022, com nenhum passo atrás.

JOÃO JOSÉ BATISTA DE CAMPOS é professor no Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Londrina e diretor-presidente do Inesco (Instituto de Estudos em Saúde Coletiva)

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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