A saúde do Brasil - Maurício Barros
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de abril de 1998
Maurício Barros 
O mosquito Aedes aegypti, causador da dengue que alastra na maioria dos Estados, sarampo, rubéola, diarréia, e outras doenças mais simples, como a malária, doença de Chagas, esquistossomose, cólera, febre amarela, meningite, poluição ambiental, más condições de moradia, ausência de saneamento básico, doenças profissionais, tuberculose, hanseníase (aliás esta última em grande ascensão, apesar de ser milenar), hospitais falidos e pronto socorros abarrotados, sistema de saúde centrado no modelo hospitalocêntrico-medicocêntrico, sem nenhuma ação no campo preventivo, atendimento por fora e denúncia da população de omissão de socorro. Esta é a situação do Brasil de hoje, que se agrava ainda mais com a má distribuição de terra e pelo desemprego crescente, que deixam milhões de brasileiros na mais absoluta miséria.
Não podemos esquecer que este governo prometeu na campanha eleitoral tornar o Ministério da Saúde o mais forte, e não o da Economia. No entanto, faltando pouco mais de um ano para encerrar seu mandato, o que se tem é a situação de caos na saúde, onde o financiamento nunca é suficiente, mesmo porque a fraude e os desvios são reconhecidos oficialmente pelos homens da própria administração.
Por outro lado, cortam-se recursos de outras fontes até então destinadas à saúde, como no caso do FEF (Fundo de Estabilização Fiscal), que se apropria de R$ 1,4 bilhão da saúde pública. Desta forma, fica difícil acreditar que o governo e o seu super-ministro engenheiro-economista, José Serra, possam defender a prorrogação deste imposto por mais dez anos como já manifestou o presidente da República.
Alguns silenciam diante desta situação, outros, de forma ufanista, a justificam argumentando que o país está no caminho certo, com a economia estabilizada, o fim da inflação, o aumento do consumo - de frango, iogurte, cimento e dentaduras. Os burocratas entendem que gastos sociais significam despesas e que estas terão de ser cortadas para possibilitar recursos na salvação dos bancos falidos e pagamentos de juros absurdos praticados no país.
Se não fosse o Sistema Único de Saúde (SUS), milhões de brasileiros não teriam a quem recorrer para obter as mínimas condições de amparo e atenção à saúde; muitas crianças vítimas da miséria que provoca a desnutrição, portadores de patologias crônicas como as doenças renais, a AIDS e tantas outras, estariam condenadas a padecer à base da indigência. Não fosse o SUS, outras não teriam acesso a exames de alta complexidade e precisão, como ultra-sonografia, tomografia computadorizada ou a procedimentos como a hemodiálise.
A sociedade brasileira tem procurado fazer a sua parte, se organizando e lutando para garantir os princípios básicos do SUS por meio de grandes fóruns como as conferências nacional, estaduais e municipais de saúde.
Londrina também vem fazendo a sua parte através dos trabalhadores e usuários. O Conselho Municipal de Saúde tem realizado importantes conferências, demonstrando enorme poder de discussão, apoiando e incentivando a organização de muitos conselhos regionais e locais de saúde, instâncias estas de grande relevância rumo ao controle social das ações e serviços de saúde.
- MAURÍCIO BARROS é membro da Comissão Ética do Conselho Municipal da Saúde e diretor do Sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência e Ação Social do Estado do Paraná.


