Em meio ao mar de produtos alimentícios contaminados por agrotóxicos e adicionantes químicos de toda ordem, a produção de hortaliças orgânicas (sem venenos) é uma ilha de bonança e de tranquilidade. Reportagem da Folha Rural de sábado mostra os benefícios de uma corrente nesse sentido que se expande em Maringá e que, além de tudo o mais, proporciona bom lucro. Porque sobram pedidos e escasseiam mercadorias, tamanha a busca por parte dos consumidores. E ontem a Folha de Londrina mostrou que comunidades curitibanas se dedicam ao cultivo caseiro de hortas, também sem adubos, fungicidas e inseticidas químicos. Mesmo moradores de apartamentos plantam suas ervas, em vasos. Além das naturais vantagens dessa prática, tais pessoas agrupam-se e trocam experimentos, formando novos círculos de amizade e agradável convivência. Nesta era de tanta nocividade e futilidade de muitos programas da televisão, e agora mais intensamente com a internet que consomem tanto tempo das pessoas essa experiência do contato com a terra e as plantas e a consciência da produção sadia de alimentos, é fato muito gratificante. À frente desses empreendimentos, tanto em Maringá como em Curitiba, estão japoneses mais idosos e seus descendentes que herdaram costumes assim de seus ancestrais e gente de todas as etnias vieram aderindo. Esta é, sem dúvida, a boa semeadura. Que recria esperanças de esses procedimentos passarem a ser comuns em outros lugares e venham um dia a se estender também à produção em escala, mediante tecnologias que permitam produtividade sem envenenamento. A produção dos orgânicos, em Maringá, já tem extensões em Campo Mourão, Umuarama, Paranavaí e uma dezena de outros municípios daquela região. Desenvolvido como agricultura familiar, tal sistema vem se expandindo, e em lugares diversos do Paraná já se faz isto também com soja, feijão, milho, arroz, trigo, café, mandioca, mel, açúcar mascavo e plantas medicinais, e há projetos para leite e carnes. São produtos que entram no mercado interno (especialmente os de consumo imediato) e externo com o selo indicador de qualidade e de bio-sabor. Em Curitiba, os adeptos de hortas caseiras também se agrupam em associações, e além dos bons produtos que extraem da terra adotam a milenar tradição oriental de reverenciar os frutos que colhem, e o fazem como uma forma de ritual. É alentador saber-se que, em tempos tão conturbados, existem comunidades voltadas para procedimentos tão sadios e que têm muito de volta ao passado, quando era elevado o padrão da honestidade em todas as atividades humanas e tudo o que se consumia era saudável. Cita-se nas reportagens o ditado de que ''somos aquilo que comemos'', e pode-se adicionar que somos aquilo que desejamos ser e fazer. Produzir e consumir alimento sem veneno é prática das mentes arejadas, e difundir essas boas coisas é prática do bom jornalismo.

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