Ao visitar este jornal novo ministro mostrou-se consciente do problema sanitário


O ministro Reinhold Stephanes ainda está tomando pé da complexa estrutura do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Mas já tem clareza de que em algumas situações terá de agir com rapidez. É o caso, por exemplo, da sanidade animal, notadamente as medidas de controle da aftosa.

Ontem na Redação da FOLHA, o paranaense Stephanes adiantou à repórter Fernanda Mazzini como pretende conduzir a questão. O setor mais sensível é a defesa sanitária animal e vegetal. Reconheceu que vigilância e prevenção são fundamentais e, por isso, ''vamos trabalhar para melhoria de recursos, vamos nos concentrar no aumento de recursos''.

O novo ministro é a esperança dos produtores. O setor carne (compreendendo toda a cadeia alimentar e exportadora) mal refeito do impacto e das trapalhadas comedidas quase dois anos atrás, ainda espera por medidas eficazes que nem o Mapa nem o governo estadual adotaram. Parece que os prejuízos do vírus ''fabricado'' pelos dois governos não foram suficientes para atitudes mais firmes.

Não são apenas pecuaristas os interessados em solução. O agronegócio da carne envolve indústrias e consumo. Envolve bilhões em exportações. Não envolve apenas bois, mas suínos e aves. Embargos transparecem nas economias de grandes indústrias e no comércio de pequenas cidades.

O novo ministro tem um desafio dentro do próprio governo. Trabalha com um orçamento curto. Ainda não está definido em quanto o orçamento poderá ser ''melhorado''. Além da reestruturação da própria equipe do ministério, os laboratórios também deverão ser melhor equipados e deverão ser definidas novas ações. Também poderá ter aumento no contingente de técnicos agropecuários.

Um programa de atuação conjunta entre os três Estados do Sul, com o Mato Grosso do Sul e São Paulo é imprescindível. Outra meta deve ser a fronteira seca entre Brasil e Paraguai. Lá não há controle nem preocupação. O Mato Grosso é porta de entrada de tudo, em termos de doenças virulentas. Mas um plano dessa natureza tem que ser implementado de imediato.

É importante, pelo menos que agora o governo federal tem consciência disso e que o Estado não recue no seu papel. Medidas de ordem técnicas foram postergadas nos últimos anos. Em termos de aftosa e controle sanitário em geral, o Paraná e o Brasil têm tido mais sorte do que juízo, mas são saíram ilesos.

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