A sanha desmedida dos parlamentares
Não contentes com os polpudos ganhos e as mordomias, os deputados federais querem dobrar o salário, para enquadrar-se no parâmetro dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Assim, os R$ 12.847 atuais - e este é apenas um dos itens entre múltiplos benefícios - passariam para R$ 24.500. A idéia, obviamente, não encontra opositores no Congresso e nem nas assembléias legislativas e nas câmaras municipais, porque também deputados estaduais e vereadores terão, no caso, aumento proporcional. Assim, o rombo no bolso do povo ocorre em cascata, e não tenham dúvida os cidadãos de que eles se imporão esse aumento, pois legislam em causa própria, primeiro atendendo às próprias conveniências. Tudo isto favorecido pela lei, que eles mesmos criam. Só o orçamento da Câmara Federal, para 2007, é de R$ 3,3 bilhões. Não é portanto uma afirmação vã a de que os que buscam cargos eletivos, na maioria, o fazem não por espírito público mas, antes de tudo, como garantia de um rendoso emprego. As exceções são raríssimas. Como não há a contrapartida em forma de serviços à população e nem prestação de contas por desempenho, um parlamentar poderá exercer o cargo durante um mandato inteiro sem dar satisfações a ninguém. Somando-se às bandalheiras do tipo mensalão e sanguessugas (o caso do superfaturamentos das ambulâncias), isto converte a função na maior bênção que um político oportunista possa desejar. Enquanto os próprios parlamentares gastam tempo valioso em CPIs, para investigar atos ilícitos de seus pares, no conjunto eles mesmos mantém um constante estado de orgia com dinheiro alheio, pois é o povo que paga a conta. Esses escândalos isolados, que por si já denigrem a imagem do Poder Legislativo, em todas as suas esferas, acabam convertendo-se numa forma de desviar a atenção do povo para a farra pública e a baixa operância dos parlamentos inteiros. A cada nova legislatura a primeira providência de deputados e senadores é corrigir, para cima, seus próprios ganhos e os múltiplos favorecimentos. O desdobramento dessas regalias para os demais parlamentos transformam esse saco sem fundo numa sangria à economia popular. E o esforço dos parlamentares é pouco, porque no caso dos senadores e deputados federais a semana tem apenas três dias, e não é muito diferente com os deputados estaduais e os vereadores. A referência aos ganhos dos ministros do Tribunal revela também os elevados vencimentos das funções maiores da esfera judiciária. Há um descompasso gritante entre os salários dos profissionais especializados comuns - para não falar da categoria dos trabalhadores genéricos - e essa casta dos Poderes oficiais.





