A sacrificada e insegura atividade rural
O Governo vem sempre fazendo as coisas incompletas no atendimento à atividade rural, e isto gera protestos constantes do setor. Quinta-feira, 500 agricultores promoveram mobilização, em Ibiporã, e postaram-se diante da agência do Banco do Brasil que é um dos símbolos do Governo Federal e bloquearam a entrada do estabelecimento. Embora o Banco já tenha prorrogado dívidas dos produtores rurais inadimplentes, ficaram para trás outras providências governamentais, que se consubstanciam em 20 itens que esses reivindicantes enumeram e que serão encaminhadas ao Governo. As principais são a garantia de preços mínimos equivalentes aos custos de produção; redução desse custeio, desde o plantio até a colheita; liberação do comércio de insumos genéricos; redução das taxas de juros; criação do seguro de safras; transporte das mercadorias do campo por vias fluviais, onde possível, de forma a baratear o custo do frete; e isenção de imposto sobre os combustíveis, para os produtores rurais. No setor da pecuária, o Paraná ainda não saiu da crise da febre aftosa (inexistente), porque só em setembro deverá ser restabelecido o comércio de exportação de carne, se até lá nenhum fato novo venha a retardar esse processo. E os perigos ainda rondam, porque anuncia-se um novo foco da doença em Mato Grosso do Sul. Produtores e pecuaristas vivem em constante insegurança, por causa de problemas como os que figuram na lista de reivindicações acima citadas, se não bastassem as surpresas do tempo sêca ou chuva demais em épocas críticas e casos como o da aftosa inventada, que foi devastadora para o Paraná. Soma-se a isso o temor das invasões de terras, sempre uma ameaça, sem garantias de proteção para o proprietário rural. A atividade do campo oferece contribuição fundamental para a sustentabilidade econômica, e, juntando-se aos segmentos pertinentes, proporciona elevado porcentual de empregos e volumosa carga de tributos, direta e indiretamente; a exportação de produtos da lavoura e da pecuária reforça substancialmente a balança comercial e mantém superávits; e a população serve-se do alimento que vem do campo. Tudo isso, porém, parece passar despercebido pelos governantes, porque não existem políticas públicas consistentes para proteger esse estratégico setor de produção. Os atendimentos são sempre obtidos por via de lutas (isto quando eles ocorrem) e não como norma regular, que seria o desejável se, no Brasil, os Governos fossem sérios.





