A ressocialização enfrenta um antes e um depois adversos
Um time de profissionais trabalha no Educandário de Londrina para fazer com que os garotos saiam dali prontos para viver longe dos delitos. Assistentes sociais, pedagogas, psicólogas, terapeuta ocupacional, professores e educadores desenvolvem diversas atividades para que eles tenham a possibilidade de recuperar o tempo perdido, principalmente em relação à vida escolar, muito prejudicada em todos os casos.
Porém, a falta de estatísticas deixa a desejar. É difícil saber sobre a reincidência dos meninos. Desde a inauguração do Centro de Sócio Educação de Londrina, já passaram por ali 270 garotos.
A direção da unidade não têm estatísticas oficiais, mas estima que menos de 10% dos meninos retornaram. No entanto é preciso considerar que a maioria deles sai depois de completar a maioridade, por isso, se reincidirem, naturalmente, não voltarão para lá. Na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), também não há estatísticas de quantos detentos passaram por Centros de Sócio-Educação enquanto eram menores.
Cada um dos 59 internos recebe tratamento individual, por meio de um programa denominado Plano Personalizado de Atendimento (PPA). O menor ajuda a formar a equipe que vai cuidar de seu caso, sem contar que ele também participa das reuniões.
Com o PPA é possível conhecer melhor a história e os anseios de cada um dos garotos. Ao contrário do que algumas pessoas possam imaginar, o Educandário não é uma ''cadeia'', onde os meninos ficam o tempo todo atrás das grades. Pelo contrário, em vez de celas, existem alojamentos, que são duplos ou individuais, utilizados somente à noite, para dormir. No restante do tempo eles se ocupam com atividades ou ficam no solário.
Depois de passar por períodos complicados, o momento atual é de paz no Educandário. Várias vezes o repórter ouviu reclamações dos garotos de que faltam atividades. Eles querem mais aulas. Realidade muito diferente dos primeiros meses de funcionamento da instituição, quando os menores se recusavam a fazer qualquer atividade, principalmente as escolares.
''Estamos aqui desde o final de 2005. No início, tivemos uma dificuldade imensa para fazê-los aceitar a escolaridade. Os meninos chegam aqui com uma visão errada das ecolas, que não estão preparadas para lidar eles, que são chamados pela sociedade de marginais. A primeira vez que eles viram os professores teve até um princípio de revolta. Mas, um paciente trabalho de equipe os convenceu da importância de estudar. Quero destacar a postura dos professores que aceitaram o desafio de trabalhar aqui'', destaca a coordenadora pedagógica do educandário, Clara Mary Inahara.
A equipe de profissionais do educandário lamenta que o trabalho intenso com os menores seja realizado apenas no período de internamento. Para eles, o estado, a família e a socidade falham no antes e depois do período de internação.
''O núcleo familiar de onde eles vêm está em crise. Precisamos de pais e mães que estejam preocupados com seus filhos. Existe também um problema de valores da sociedade, que prega, exageradamente o consumismo e a estética. O Estado também deixa de investir. É preciso que o menino cometa um delito grave para receber toda essa atenção'', diz a psicóloga Hellen Patrícia Furtado. (W.S.)





