A ressaca e a conta da farra
A farra dos gastos nas eleições deste ano não termina com a votação de amanhã. Ainda haverá comemorações, festança da posse e, antes disso, acertos que fogem do alcance da imaginação de qualquer vivente comum. A ressaca e a conta de tudo isso vão aparecer no início do exercício fiscal do ano que vem. Com outros nomes, e com os disfarces que as variantes vocabulares e o economês burocrático comportam, os bolsos dos brasileiros vão sentir quanto custa decolar uma candidatura motivada a gastos públicos.
Prenúncios não faltam. Nas entrelinhas dos ajustes das contas públicas e déficits fiscais, o Banco Central (BC) já está mandando o seu recado. O BC quer frear a economia em 2011 para fechar as contas, diz a notícia. Contabilmente, o setor público vai encontrar uma equação muito simples, de dar inveja a qualquer ambiente da teoria econômica. Porém passará ao largo, isto é bem distante, da heterodoxia acalentada no academismo, bem à esquerda do espectro ideológico. Agora advinhe se as taxas de juros terão grosso calibre para conter a escalada de alta de preços?
Coincidentemente, um estudo do BC, divulgado ontem pela Agência Estado, do Jornal o Estado de São Paulo, aponta que, hoje, os juros pesam mais que o produto. Seguinte: o cliente financiado gasta mais com juros do que com o bem adquirido em prestações. Prestações leves, com taxas fixas, têm sido o chamariz para as compras. Aumento dos juros agrava este quadro. A retração na demanda vai impactar na oferta de trabalho e, só por Deus, não haverá onda de desemprego.
No outro cenário, a necessidade de captação de recursos no mercado pode elevar a remuneração dos aplicadores e, de repente, a economia do País está lançada à sorte de uma perigosa ciranda financeira, de saudosa ilusão monetária. Quem se lembra das aplicações a curto e médio prazos - quando os mais desinformados abrigavam sua economia na poupança, enquanto os ricos ancoravam aplicações em CBD, RDB, etc. Deus nos livre! Vamos apagar essa memória inflacionária. Pena que não depende do contribuinte. O governo que controle seus gastos.





