Que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada, sobre a fidelidade partidária, prometia sacudir políticos no interior, assembléias legislativas e principalmente no seio dos seus partidos, ninguém duvidava. A surpesa fica por conta do tamanho do estrago. Não estrago no sentido de perda, mas no sentido de efeito.
  Na verdade, a medida foi meio profilática para sanear um pouco a promiscuidade partidária.
  A decisão do STF deu aos partidos o direito de reivindicar os mandatos de parlamentares eleitos que trocaram de legenda depois de 27 de março. Não se esperava que havia tantos vereadores envolvidos.
  Levantamento da União dos Vereadores do Paraná (Uvepar) revela que pelo menos 500 dos 3.692 vereadores de todo o estado estão sujeitos à perda do mandato em razão da infidelidade partidária. A maior parte desse total, 400, se refere a trocas realizadas de agosto para cá, em função do prazo para filiação partidária - um antes da eleição - que se encerrou na sexta-feira passada.
  Embora a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Ellen Gracie, evitou ontem comentar a decisão da Corte - sugerindo não estar muito satisfeita - o efeito da decisão é irreversível.
  Aqui no Paraná os dados foram levantados por amostragem. A preocupação era quanto à decisão do STF na análise das iniciativas de três partidos - DEM, PSDB e PPS - que tentam reaver vagas de parlamentares que migraram para legendas da base aliada ao governo federal.
  No entendimento emitido na última quinta pelo STF, o mandato pertence ao partido, não ao candidato. Além disso, os ministros do Supremo definiram que ficam sujeitos à perda do mandato deputados que deixaram após 27 de março passado os partidos pelos quais foram eleitos.
  Conforme o consultor Jonias de Oliveira e Silva, disse à repórter Janaina Garcia, como 362 dos 399 municípios paranaenses têm o número mínimo de nove vereadores por Câmara, a Uvepar considera que, em média, dois edis por município estão na mira dos partidos ‘‘traídos’’.
  A julgar pelas declarações do consultor, a entidade não tem como apoiar efetivamente esses vereadores: ‘‘Damos apoio, a sustentação jurídica, mas deixamos claro que, se responderem a processo de cassação, graças à infidelidade, terão de contar com advogado próprio’’, explicou.
  A sorte e o futuro desses políticos dependem ainda de muita discussão e acordos.

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