Cerca de 120 milhões de brasileiros estão aptos a comparecer hoje diante das urnas, para eleger 5.562 prefeitos e 51.802 vereadores. A legião de votantes divide-se meio a meio entre homens e mulheres, estas com pequena margem superior, pois somam 51,18%. Embora maioria, elas perdem longe dos homens na lista dos disputantes, pois são apenas 1.497 concorrendo às prefeituras contra 14.282 deles, e 76.658 mulheres contra 269.684 varões na corrida para as câmaras municipais. Considerando-se uma costumeira abstenção de 15%, mais de 100 milhões munem-se hoje da poderosa arma do voto e decidirão que qualidade de governantes desejam para administrar seus respectivos municípios. Mas a responsabilidade dos votantes não cessa aí, porque os eleitos – alguns deles já oriundos da vida pública – poderão ser também os homens públicos do futuro, pois na continuidade buscarão outros cargos eletivos. Porque prefeitos querem ser deputados estaduais ou federais, senadores; outros ambicionarão o governo do Estado, ministérios, a presidência da República, e os vereadores seguem a mesma trilha. Eleições são, também, nascedouros de homens que passarão a governar agora e poderão continuar governando a nação em anos futuros, nas diferentes escalas da vida pública. O que o povo decidir num dia como hoje poderá ter, portanto, reflexos futuros. Se forem sufragados os bons, eles desempenharão bem suas funções e poderão ser guindados, na seqüência, a outros postos da administração pública, e assim irá se operando o processo de depuração e desencorajando os aventureiros. Daí a responsabilidade da escolha. Se é certo que numerosas legiões votam segundo a melhor oferta de vantagem individual – até pelo baixo índice de politização e por extremas necessidades de sobrevivência e crendo na ajuda dos governantes – há que acreditar no sistema de decisão pelo voto, porque não se conhece outro melhor e não se descobriu, ainda, regime mais aperfeiçoado que a democracia – embora não seja plenamente justa a norma da proporcionalidade eleitoral. A melhoria do padrão político e educacional dos brasileiros, e, por extensão, da qualidade do eleitorado, ocorrerá também pela via das realizações de prefeitos e vereadores no campo da educação e das carências sociais, sendo então necessário cada eleitor ver bem quem escolherá hoje. Melhor do que descrer é participar, sem abstenção, sem voto em branco, sem voto aleatório e sem o voto que não seja da conveniência coletiva. Mas não apenas votar e sim também vigiar os eleitos. Cada cidadão sabe em quem votou e isto lhe confere a autoridade para cobrar de perto o prefeito e o vereador que elegeu. E aqueles que não tenham conseguido levar seus candidatos ao poder, devem da mesma forma cerrar fileiras e exigir dos eleitos que cumpram seu dever de administradores públicos. Não há poder maior que o do povo, mas sem participação e mobilização essa força será inerte. Será, na verdade, ausência de responsabilidade.

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