A responsabilidade da superpotência - Bill Bradley
Bill Bradley
Estamos em um momento especial da história dos Estados Unidos da América, não só porque nos encontramos às vésperas de um novo milênio mas também porque nosso país e o Planeta estão mudando a um ritmo impressionante.
Há agora 2 bilhões de pessoas a mais no mercado mundial do que há apenas dez anos. Mais que nunca, uma grande parte de nossos empregos depende das exportações. As taxas de juros nos Estados Unidos são fixadas por milhões de investidores de todo o mundo que todos os dias dão seu veredito sobre a economia deste país.
A natureza do trabalho em si mesmo está mudando. A nova economia global valoriza o conhecimento acima de tudo e, com efeito, o capital persegue o conhecimento. No mundo atual, desaparecem as distâncias físicas, aumenta a expectativa de vida e os recursos naturais podem ser melhor preservados.
O espírito empresarial está empurrando os Estados Unidos adiante novamente. Mas com o novo poder e maior prosperidade dos Estados Unidos vêm novas responsabilidades. Temos a obrigação de dar ao mundo um plano para estender a democracia e adotar posturas de princípios em matéria de direitos humanos.
Podemos ajudar as economias de livre mercado emergentes para que façam com que os sonhos de vida melhor de seus cidadãos se tornem realidade. Também devemos usar nosso poder para proporcionar segurança ante descaradas agressões, dentro do contexto de uma política exterior que tem raízes firmes e um propósito claro. Somente então estaremos à altura das responsabilidades de uma liderança mundial.
Muitas vezes recitamos os dogmas da economia como se nossa única razão de ser fosse fazer com que os balanços encaixem e os mercados melhorem. Podemos manter os Estados Unidos em um atalho de crescimento econômico e seguir criando empregos, mas uma economia robusta não é um fim em si mesma, é um meio para alcançar esse fim. Esse fim é obter um país tão forte socialmente como é economicamente.
Os efeitos positivos da globalização e da mudança tecnológica estão recaindo sobre os Estados Unidos de modo desigual. A economia se expande, mas alguns de nós retrocedem. As rendas das famílias de classe média estancaram, as dívidas individuais aumentaram a um nível sem precedentes, uma de cada cinco crianças vive na pobreza e enquanto reis e ditadores chegam a este país para desfrutar do melhor cuidado à saúde do mundo, essa atenção sanitária não está ao alcance de 45 milhões de americanos que não têm seguro de saúde algum.
Em muitos aspectos, fracassamos em usar nossa prosperidade para melhorar o nível de vida de todos os nossos cidadãos. Não é, portanto, agora o momento da autocomplacência. Estamos no final do que se convencionou chamar O século americano. Começamos este centenário como uma potência menor e terminamos como o gigante indiscutível entre as nações.
Pela primeira vez na história, uma nação pode realmente tornar-se um farol que ilumine o futuro. Acreditamos que os valores de defesa da vida e a liberdade não são valores americanos mas também de toda a humanidade. Mas, para começar, nós devemos encarnar estes valores em nossa própria casa.
Não é o verdadeiro sentido comum fazer tudo que é necessário para que cada criança dos Estados Unidos da América seja objeto de um adequado cuidado de sua saúde? Não é sentido comum que protejamos nossa natureza da destruição, que façamos tudo o que falta para conseguir a unidade racial e que pretendamos que todas as nossas escolas funcionem bem?
O que alguns qualificam de idealismo é só sentido comum aplicado à realidade para atingir metas que sei que podem ser alcançadas. Por isso proponho que o salário mínimo seja aumentado em US$ 1, o que significará uma soma adicional de US$ 2.600 dólares anuais para um casal de pais que recebem o salário mínimo. Também proponho o incremento de um imposto ao crédito para ajudar o setor da população com menores rendas e com mais filhos, e um subsídio e deduções impositivas para a assistência e a atenção médica às crianças de famílias pobres.
Isto não significa que eu pense que o governo pode resolver todos os problemas. Um setor privado que se desenvolve e as instituições humanitárias da comunidade são partes essenciais da equação. O governo não pode ser tudo, mas deveria fazer algumas coisas importantes e essenciais para toda a nação.
Estamos no fim de um milênio e talvez no fim de dois séculos de história dos Estados Unidos da América, mas temos ainda em nossas mãos a possibilidade, como dizia Thomas Paine, de começar o mundo outra vez desde o princípio.





