A renda cai. E daí?
O mais recente levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, é de um problema que, segundo os índices que se apresentam, agrava-se a cada dia. Durante os 12 meses de 2003, o rendimento médio do trabalhador brasileiro caiu 12,5%, segundo reportagens veiculadas pelas agências nacionais de notícias e também pela Agência Sebrae de Notícias.
Em dezembro, de acordo com a pesquisa do IBGE, o salário médio do brasileiro foi de R$ 830,10. Atentem-se os leitores que este é o salário médio, feito a partir dos cálculos de realidades e valores diferentes, em que alguns se sustentam com apenas meio salário mínimo e outros com rendas expressivamente superiores. Ainda assim, o levantamento indica que a queda em relação ao mês de novembro de 2003 foi de 1,2%.
Embora a queda na renda do trabalho esteja mais presente em alguns grandes centros, como São Paulo, onde os salários recuaram 15,3% em dezembro deste ano na comparação com o mesmo mês de 2002; o Rio de Janeiro, onde as perdas foram de 13,6%, e em Recife, onde os salários tiveram queda de 12,2%, conforme comparativo feito pela Agência Sebrae, a situação em outras localidades não é melhor.
Pelo contrário, o quadro é muito preocupante. Em fins de 2003, a idéia da informalidade, apesar dos constantes alertas de alguns, foi colocada, até por setores do próprio governo federal, como alguma coisa frutífera. Claro, entende-se que esta seria uma forma de justificar que, apesar do desemprego em alta, trabalhar por conta resolve a situação de muitos trabalhadores.
Mas vejam os leitores que o próprio levantamento do IBGE aponta que as pesssoas que trabalham por conta foram as que mais tiveram queda no rendimento, com um índice de 19% de perdas em dezembro, em comparação com o mesmo mês de 2002. No acumulado do ano, a perda dos empregados sem carteira assinada foi em 2003 de 12,1%, enquanto os com carteira assinada tiveram perdas de 4,6%.
Ilusório, portanto, pensar que o desemprego está sendo compensado com a informalidade. Muito pior ainda ter a idéia que as tímidas reações da economia possam camuflar problemas tão sérios, como a queda do rendimento e o desemprego, pois estes refletem um conjunto que corre o risco de deterioração a curto prazo caso algo deixe de ser feito com urgência.





