A reforma agrária
A reforma agrária
Abelardo Lupion
A reforma agrária e urbana, entendida como um conjunto de medidas contra a manutenção de terras ou terrenos ociosos, aguardando valorização, é uma política de inegável importância para o desenvolvimento do país pelos seus impactos econômico e social.
A reforma agrária que estamos assistindo, constitui-se num movimento político, de cunho sectário, que não incrementa a produção e apenas faveliza o meio rural. A dinâmica da produção moderna exige pessoas com conhecimento, acesso à tecnologia e aos equipamentos de capital, apoio de infra-estrutura adequada, acesso aos mercados interno e externo e suporte de política agrícola, para ficar nos fatores mais importantes.
A atual reforma preconiza o acesso à terra e agora, a luta pelo acesso ao crédito. Por este mecanismo os resultados atestam sua eficácia. Nenhum assentamento efetuado até agora no Brasil, desde a década de 70 está emancipado. Todos continuam a depender das subvenções oficiais.
A presente luta pelo acesso ao crédito, agora o governo se apercebe da sua real causa: dos créditos subsidiados distribuídos, as lideranças dos movimentos exigem um pedágio, uma porcentagem de 3% a 10% para financiar as ações do próprio movimento, contra o governo.
Toda a sociedade é contra a má aplicação e o desvio dos recursos públicos, de qualquer forma e sob qualquer natureza. Neste caso, ninguém tem nada a ver com que cada um faz com seus próprios recursos. No entanto, o crédito concedido aos assentados tem subsídio embutido no custo do mesmo e esse custo é coberto em pacote, com os recursos que a sociedade paga de impostos. Portanto, desviar uma parcela de sua real finalidade se constitui em crime que nenhum brasileiro, que se orgulha deste País, pode aceitar.
O negócio agrícola é de mérita importância para o Brasil, seja ele conduzido em sua base por pequenos, micro ou grandes. Esse negócio tem o maior potencial de incremento da produção de alimentos do mundo, tanto por expansão de área quanto por incremento da produtividade. Tratá-lo com a seriedade que ele merece e com a importância que apresenta é, portanto, assunto de segurança alimentar e de soberania nacional.
- ABELARDO LUPION é deputado federal pelo PFL-PR





