A reabertura do Museu da Justiça - João Kopytowski
João Kopytowski
O Fórum dos Tribunais de Júri de Curitiba se alegra e se honra por abrigar o Museu da Justiça, que, desativado por algum tempo, neste momento, graças ao atual chefe do Poder Judiciário, está sendo reaberto, para rememorar importantes episódios da história jurídica e política de nosso Estado.
Aqui estão expostos desde objetos antigos, utilizados por juízes e outros operadores do Direito, há muitos anos, até armas e instrumentos de crimes inclusive algumas usadas na Revolução Federalista.
É justa a homenagem à Lapa, palco de lutas sangrentas, onde morreu o juiz municipal Aminthas de Barros, depois nomeado tenente-coronel, e várias personalidades, e que já deu oito desembargadores, inclusive o atual presidente do TJ, Sydney Dittrich Zappa, sendo a comarca destaque permanente da vida judiciária paranaense.
Aqui serão mostrados equipamentos jurídicos dos tempos mais remotos, relembrando a Justiça de outrora, até os mais modernos, preconizando a Justiça do Terceiro Milênio, a iniciar-se em breve.
No hall de entrada, está o segundo Sino do Júri do Paraná, único recuperado até o momento e que anunciava os julgamentos, antigamente, e ainda é soado em várias ocasiões. Uma verdadeira relíquia da Justiça do Estado, que merece ser vista por todos.
A participação do Judiciário paranaense, em todos os momentos institucionais, foi sempre significativa e ora detalhada pelo eminente historiador Sérgio Augusto Leoni.
Nosso entusiasmo, de acolher o Museu da Justiça, neste edifício, é muito grande, até porque, a primeira imagem da Justiça, pelo cidadão comum e pelas crianças, é o Júri.
Também porque o Júri de Curitiba foi criado somente quinze dias após o próprio Tribunal de Justiça, em 1891, quando a 5ª Comarca de São Paulo foi transformada na Província do Paraná.
Nosso orgulho é ainda maior ao considerarmos que Curitiba, capital tão importante e bonita, ainda não tem um Fórum próprio, e o Tribunal de Justiça funciona no edifício construído para as secretarias do Estado.
Mas o Tribunal do Júri curitibano foi grandemente prestigiado, pelo saudoso governador Bento Munhoz da Rocha Neto, que mandou projetá-lo e construí-lo para essa finalidade específica e perene.
O Júri curitibano situa-se bem no centro da esfera de poderes do Estado e do município, como um epicentro entre o Palácio do Governo, a Assembléia Legislativa, o Tribunal de Justiça e a Prefeitura Municipal.
Defensores fiéis do Centro Cívico, idealizado também por Bento Munhoz, respiramos mais aliviados, com a retirada dos sem-terra, por operação elogiável da nossa Polícia Militar em cumprimento a mandado judicial os quais, extrapolando os limites temporais do direito de manifestação, ali ficaram acampados, por mais de cinco meses, criando um ambiente barulhento, insalubre e tenso. Foi restaurada a ordem pública local!
Igualmente, o Projeto de Recuperação do Centro Cívico, elaborado pelo IPPUC cujo presidente, arquiteto Luiz Massaru Hayakawa, honra-nos preservando e valorizando o Tribunal do Júri, traz a certeza de que esta praça, em breve, será transformada num centro verdadeiramente cívico, histórico, jurídico, político, ecológico e didático, do Paraná.
Melhores ventos estão soprando nesta área de poder do Estado e do município, graças aos bons projetos e ações dos atuais mandatários presidente Sydney Zappa, governadores Jaime Lerner e Emília Belinati e presidente Nelson Justus, com a imprescindível parceria da prefeitura, da Câmara Municipal, outros órgãos e de autoridades competentes.
Paralelamente a esse regozijo e agradecimentos, aproveitamos o ensejo para lançar o seguinte pleito: em 21 de fevereiro de 1991, quando ali no plenário era abençoado o Sino do Júri, pelo arcebispo D. Pedro Fedalto, e, solenemente, posto em funcionamento o 2º Tribunal Popular, pedimos ao então prefeito Jaime Lerner que ajudasse o desembargador Luiz Renato Pedroso, na época presidente do TJ, a terminar o Fórum de Curitiba, ali ao lado, o que não foi possível, por vários e sérios motivos.
Hoje, porém, por força de dados técnicos, de segurança, econômicos, jurídicos e políticos, esse esqueleto de cimento precisa ser implodido, e construído o futuro Fórum de Curitiba, em local mais apropriado e mais funcional, a fim de preservar o Centro Cívico, que não pode ser superlotado e desviado de sua concepção filosófico-política inicial.





