A razão pisoteada
O governo FHC teve a chance de evitar mais um equívoco político nestes últimos dias. Mas como tem sido comum nos seus sete anos e meio de poder, desperdiçou não somente esta oportunidade. Jogou fora, sobretudo, aquilo que num momento de desespero na luta para fazer aparecer o seu candidato à sucessão, José Serra, poderia devolver um pingo de prestígio à sua gestão.
Ao provocar o pedido de demissão do ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, apresentado na segunda-feira, Fernando Henrique carimbou um atestado: o de que a campanha de Serra vale mais do que uma postura firme no combate à violência.
Analisemos os fatos: Reale Júnior solicitou a intervenção no Espírito Santo, Estado da vice de Serra, Rita Camata, pelo Supremo Tribunal Federal. O motivo é a violência. No entanto, o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, decidiu suspender o pedido, não o encaminhando ao Supremo. Para o ministro, houve, portanto, uma desautorização de Fernando Henrique ao seu pedido.
Reale Júnior também diz estranhar, conforme reportagem que a Folha de Londrina publica nas páginas de Política, o fato de Brindeiro ter tomado essa decisão junto com FHC, quando um procurador deve manifestar-se nos autos. Assim, para Reale Júnior, a decisão de não encaminhar o pedido de intervenção na terra de Rita Camata, a vice de Serra, é política, e não jurídica.
''O crime organizado deve estar em festa'', comenta o ministro, em relação à decisão de FHC e Brindeiro. Não é preciso dizer mais nada.
Walter Ogama





