Os conflitos fundiários no Brasil resultam de três fatores que devem ser acuradamente analisados; o aumento da população rural, que obriga a saída dos filhos varões da médias e pequenas propriedades, uma vez que as áreas disponíveis ficam cada vez mais menores para os herdeiros, a mecanização das lavouras e a expansão da pecuária com a consequente dispensa de mão-de-obra e, por derradeiro, as dificuldades geradas pelo quadro econômico nacional, desestimulando a produção agrícola nos Estados.
As invasões de terras no Paraná já preocupavam os governos anteriores, caso de Álvaro Dias e Roberto Requião, que deixaram de executar inúmeros despejos, contrariando determinações judiciais, pelo fato de o Poder Executivo não pretender causar comoção social nas áreas invadidas, sabedor que era que pessoas seriam jogadas às margens das rodovias, onde estariam sujeitas às piores condições de vida possíveis, estabelecendo um quadro desolador.
Tais invasões, organizadas por elementos infiltrados entre os trabalhadores rurais, quase sempre oriundos do MST, violam a Constituição Federal, carta que assegura o direito à propriedade, razão pela qual é correta a intervenção da polícia, até mesmo com o emprego de força, desde que em legítima defesa ou no caso de resistência à ordem legal, dada a existência de grupos armados e preparados para obstar a ação da lei, em defesa da tese da legitimidade do esbulho.
A reforma agrária no país é uma falácia, uma vez que o mero assentamento de famílias no interior não dirime a questão e sim posterga a sua solução, pois a fixação do homem no campo está sendo procedida sem qualquer infra-estrutura, caso de cooperativas que concedam aos camponeses equipamentos e implementos agrícolas, além de orientação técnica, a molde do que ocorre em países mais desenvolvidos, como Israel, onde o Estado assegura moradia, educação e saúde aos colonos.
A persistir o atual critério de ajuste rural, que nada mais é do que o abandono de famílias nas áreas desapropriadas, estará consagrado no Brasil o sistema de plantio de subsistência, trazendo à baila a figura do ‘‘Jeca Tatu’’, com consequentes prejuízos à economia dos Estados, que perdem terras e dependem de uma agricultura moderna para a geração de riquezas e novos empregos.
Inexiste uma solução simples para o tema, cujo âmago do problema é o aproveitamento racional do homem do campo, que necessita execer sua atividade, além de ter moradia e outros recursos e não de uma lona e um saco de sementes que não trazem produtividade ou inibem a fome e a doença. Aliás, esses fatores transformam a questão fundiária num sério conflito social, fruto da inexistência de uma política exequível para o campo, não demagógica e pautada pela viabilização de propostas adequadas à nossa realidade.
Enquanto isso não ocorre as invasões prosseguem no país, estimuladas pelo MST e condenadas pela UDR, favorecendo o surgimento de grupos armados e o consequente confronto entre eles, quase sempre com vítimas fatais, o que prejudica a imagem do Brasil perante a comunidade internacional.

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